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Globo aposta em bebê reborn com IA em cena de parto em “Três Graças”; entenda

Uso de recém-nascidos é proibido por lei e levanta debate sobre segurança nas gravações

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*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

          Desde a cena do parto de Joélly (Alana Cabral) em “Três Graças”, um detalhe virou assunto nas redes: afinal, o bebê é de verdade? É inteligência artificial? É boneco? A coluna apurou que se trata de um bebê reborn, adquirido pela produção de arte da novela. Já as reações — movimentos sutis, respiração, pequenos trejeitos — são finalizadas com recursos de inteligência artificial na pós-produção. A decisão não é estética apenas. É legal.

          A Globo não utiliza recém-nascidos em gravações por uma questão de segurança e de cumprimento da legislação brasileira. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e normas do Ministério do Trabalho determinam que apenas bebês com, no mínimo, seis meses de idade podem participar de produções audiovisuais.

          Recém-nascidos não têm imunidade suficiente, exigem cuidados médicos constantes e não devem ser expostos a iluminação intensa, ruídos, troca de temperatura ou longas jornadas de gravação. E set de novela envolve tudo isso: câmeras quentes, refletores, repetição de cena, microfones, marcação técnica. Ou seja: não é apenas uma escolha criativa, é uma exigência legal e sanitária.

          Curiosamente, durante muitos anos o público reclamava do “bebê grande demais” nas cenas de parto. Como a regra exige que o bebê tenha pelo menos seis meses, era comum que o recém-nascido da ficção aparentasse bem mais idade na tela; algo que sempre gerava comentários e memes.

          A tecnologia resolveu dois problemas de uma vez: evita o risco à saúde das crianças e aumenta o realismo. Hoje, a solução combina bonecos reborn altamente detalhados, closes estratégicos, som ambiente e finalização digital. A IA entra para simular pequenos movimentos e expressões, dando vida ao que, na prática, é um boneco hiper-realista.

          É um caminho que une ética, legislação e linguagem audiovisual. E, pelo barulho nas redes, funcionou: o público ficou na dúvida — e isso, em dramaturgia, significa que a cena cumpriu seu papel.

          Mais do que um truque técnico, é um retrato de como a teledramaturgia vem se adaptando aos novos tempos: protegendo quem precisa ser protegido e usando tecnologia a favor da narrativa.

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