Heitor matou Arthur? Teoria de “Quem Ama Cuida” esbarra em um grande furo
Cronologia do crime deixa uma pergunta difícil de responder: por que ele voltaria ao Brasil se todos acreditavam que estava morto?
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Desde que Heitor (Renato Góes) reapareceu em “Quem Ama Cuida”, uma teoria ganhou força entre os noveleiros nas redes sociais: e se o filho de Arthur (Antonio Fagundes) for, na verdade, o assassino do empresário? A desconfiança aumentou com a chegada do personagem à trama e já há quem aposte que seu retorno ao Brasil esconderia muito mais do que ele contou até agora.
A teoria é boa para movimentar as redes. Como solução para o mistério central da novela, porém, seria um belo tiro no pé de uma trama que, até aqui, vem sendo conduzida com bastante cuidado por Walcyr Carrasco e Claudia Souto. Isso porque transformar Heitor no assassino abriria uma série de perguntas difíceis de responder sem deixar furos pelo caminho. A principal delas está na própria cronologia construída pela novela.
Quando Arthur foi assassinado, Heitor já era dado como morto. O rapaz havia desaparecido durante uma viagem para esquiar e, durante meses, permaneceu hospitalizado sem que a família soubesse que estava vivo. Arthur, inclusive, morreu acreditando que havia perdido o filho.
Para que Heitor fosse o responsável pelo crime, portanto, a novela precisaria revelar que praticamente tudo o que contou sobre esse período é mentira — ou, no mínimo, apenas parte da verdade.
Mais do que isso: seria necessário explicar por que ele retornaria clandestinamente, mataria o próprio pai e desapareceria novamente, mantendo a versão de que estava morto.
E há uma questão ainda mais complicada. Adriana (Letícia Colin) acabou responsabilizada pelo assassinato. Foi presa, julgada e condenada por um crime que não cometeu. Se Heitor fosse o verdadeiro culpado, teria conseguido uma situação quase perfeita: além de ser considerado morto, havia outra pessoa pagando pelo assassinato.
Por que, então, voltar justamente depois que o caso de Adriana começou a ruir? A inocência dela não colocaria Heitor automaticamente na mira da polícia. Afinal, para todos os efeitos, ele sequer estaria entre os possíveis suspeitos: ninguém procura um morto como autor de um assassinato.
Esse talvez seja o maior problema da teoria. Se Heitor matou Arthur e conseguiu permanecer escondido durante todo esse tempo, seu retorno voluntário ao Brasil seria exatamente o movimento que poderia colocá-lo no radar de uma investigação da qual, até então, estava completamente fora.
É claro que “Quem Ama Cuida” ainda pode revelar que Heitor mentiu sobre onde esteve, sobre o acidente, sobre o período no hospital ou até apresentar uma motivação envolvendo sua relação com Arthur e com a mãe. E é justamente aí que mora o perigo: seriam necessárias muitas novas informações para fazer a hipótese se encaixar no que o público já assistiu.
A desconfiança sobre Heitor pode, inclusive, ser proposital. Um bom “quem matou?” precisa espalhar suspeitos e fazer o público enxergar culpa onde talvez não exista. E colocar sobre o personagem de Renato Góes a sombra do assassinato é uma maneira eficiente de manter o mistério vivo.
Por enquanto, portanto, Heitor funciona muito melhor como suspeito do que como assassino.
Se Walcyr Carrasco e Claudia Souto decidirem que foi ele quem matou Arthur, terão pela frente uma missão tão importante quanto revelar a identidade do criminoso: explicar, sem atropelar a lógica da história, por que um homem que todos acreditavam estar morto, que viu outra pessoa ser condenada por seu suposto crime e que estava praticamente fora do alcance de qualquer investigação decidiu voltar e se colocar, por vontade própria, no centro do tabuleiro. E essa explicação precisará ser muito boa.
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