Opinião: “A Nobreza do Amor” entrega cinema absoluto em capítulo de colecionador
Batalha pela libertação de Batanga impressionou pela direção, pelas atuações e pela grandiosidade de uma novela que chega à reta final em altíssimo nível
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
O que a Globo apresentou na noite desta terça-feira (3), em “A Nobreza do Amor”, foi “absolut cinema”. A batalha pela libertação de Batanga rendeu um daqueles capítulos que merecem ficar guardados na memória da teledramaturgia brasileira. Uma sequência grandiosa, emocionante, visualmente impecável e conduzida com uma precisão impressionante. Um capítulo de colecionador.
A guerra entre a Resistência e as tropas de Jendal (Lázaro Ramos) teve tudo o que se espera de uma grande produção: cenas de ação muito bem executadas, movimentos de câmera elaborados, uma fotografia belíssima, figurinos caprichados e uma direção que soube explorar a dimensão épica daquele confronto. O resultado foi um espetáculo que em nada ficou devendo a produções cinematográficas.
E não foi apenas uma questão de beleza estética. A sequência teve tensão, emoção, perdas e reviravoltas. A morte de Ladisa (Rita Batista), o ferimento grave de José (Bukassa Kabengele), o enfrentamento entre Omar (Rodrigo Simas) e Jendal e o resgate de Alika (Duda Santos) por Tonho (Ronald Sotto) deram à batalha uma intensidade que manteve o público preso à televisão.
Um dos momentos mais impressionantes foi justamente o de Tonho, que conseguiu retirar a adaga cravada no baobá, cumprindo a profecia do rei Shaka e revelando sua ligação com a linhagem real de Batanga. Uma cena que reuniu ação, fantasia, ancestralidade e emoção, elementos que sempre fizeram parte da identidade da novela.
A direção de Gustavo Fernandez merece todos os elogios. Não é simples colocar uma batalha dessa dimensão na televisão aberta, muito menos fazê-la com tamanha qualidade. A movimentação dos figurantes, os confrontos, os enquadramentos e a construção da tensão mostraram um trabalho de enorme cuidado. Havia uma dimensão cinematográfica em cada detalhe.
O elenco também correspondeu à altura. Lázaro Ramos construiu um Jendal ameaçador até os últimos momentos de seu reinado. Duda Santos e Ronald Sotto deram emoção à vitória de seus personagens, enquanto os demais atores ajudaram a transformar a guerra em algo muito maior do que uma simples disputa pelo poder.
A novela recuperou a força das grandes sequências de ação apresentadas nos primeiros capítulos, agora com uma vantagem: o público já conhece os personagens, suas dores, suas perdas e tudo o que está em jogo.
Por isso, a libertação de Batanga teve um peso tão grande. Não era apenas uma batalha visualmente impressionante. Era a culminação de uma história de resistência, pertencimento, ancestralidade e luta contra a tirania. A vitória de Alika e Tonho ganhou uma dimensão emocional que tornou tudo ainda mais bonito.
O capítulo desta terça-feira foi uma demonstração do que a televisão brasileira é capaz de fazer quando reúne talento, investimento, criatividade e ambição artística. Foi grandioso, emocionante e de tirar o fôlego. Foi televisão com qualidade de cinema. E que privilégio poder assistir a isso numa novela das seis.
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