Opinião: “A Nobreza do Amor” estreia com cara de cinema e vira aposta ambiciosa da Globo
Os primeiros capítulos da nova novela das seis deixam claro que a emissora não economizou nem em investimento, nem em ambição
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Os primeiros capítulos de “A Nobreza do Amor” deixam claro que a Globo não economizou nem em investimento, nem em ambição. A nova novela das seis chega ao ar com cara de superprodução, daquelas que saltam aos olhos logo nas primeiras cenas, e entrega uma experiência que vai além do tradicional: é folhetim, sim, mas com acabamento de cinema.
E não é exagero. A estética caprichada, a fotografia elaborada e o cuidado com cada detalhe colocam a trama em um patamar que remete a grandes produções internacionais. A expressão “absoluto cinema”, tão usada nas redes sociais para se referir a “Três Graças”, se encaixa perfeitamente aqui.
Mas o que realmente diferencia “A Nobreza do Amor” é o olhar. Em um movimento ainda raro na teledramaturgia, a novela coloca personagens negros no centro do poder — como reis, rainhas e princesas — em uma narrativa histórica que ressignifica esse lugar de protagonismo. Não é apenas representatividade: é reposicionamento.
A história, no entanto, não abre mão do que faz uma novela funcionar. Há romance, conflitos, segredos e reviravoltas, que sã0 elementos clássicos do folhetim que aparecem bem amarrados desde o início. Nesse sentido, a trama também carrega a assinatura de Duca Rachid, que já provou saber equilibrar fantasia, emoção e narrativa popular em sucessos como “Cordel Encantado” e “Joia Rara” (essas ao lado de Thelma Guedes).
No elenco, dois destaques saltam imediatamente. Lázaro Ramos surpreende ao surgir em um registro menos habitual. Conhecido por papéis mais carismáticos e até bem-humorados, ele entrega um Jendal denso, ameaçador e cheio de camadas; um vilão que já se impõe como peça-chave da trama.
Do outro lado, Duda Santos confirma o que muita gente já vinha percebendo: é um dos grandes nomes de sua geração. Sua princesa Akira é vibrante, forte e cheia de presença. Não é uma figura passiva; é uma protagonista com energia de guerreira, que movimenta a narrativa e prende o olhar.
Com começo envolvente, apuro estético e uma proposta narrativa que foge do lugar comum, “A Nobreza do Amor” dá sinais de que pode se tornar uma das novelas mais marcantes dos últimos tempos.
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