Opinião: “BBB 26” corre risco de virar reprise com nova liderança de Jonas
Quando o poder não circula, o reality perde tensão e o público já antecipa o paredão
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Quando Jonas se consagra líder do “BBB 26” pela terceira vez consecutiva, o jogo deixa de ser imprevisível e começa a entrar no automático. Antes dele, Alberto Cowboy já tinha dado o tom de um grupo competitivo e coeso. Agora, com o poder concentrado novamente nas mesmas mãos, o programa corre o risco de virar reprise em horário nobre.
O comentário do jornalista Chico Barney nas redes sociais resume bem o incômodo de quem acompanha reality show como jogo — e não como torcida organizada. Quando a mesma pessoa ganha três lideranças seguidas, o efeito é parecido com um mesmo grupo sendo eliminado semana após semana: a dinâmica empobrece. Fica previsível. E previsibilidade é veneno para o entretenimento.
Não se trata de desmerecer o mérito de Jonas. Pelo contrário. Se ele venceu três vezes, é porque as provas, de alguma forma, favorecem seu perfil — seja físico, estratégico ou emocional. A questão é justamente essa: será que o leque de desafios está amplo o suficiente para contemplar habilidades distintas? Resistência, agilidade, memória, raciocínio lógico, sorte, equilíbrio, estratégia coletiva… quando as provas pendem sempre para o mesmo tipo de competência, o jogo naturalmente se concentra.
E concentração de poder gera repetição de roteiro. Com Jonas líder de novo, os alvos tendem a ser os mesmos, as articulações se repetem, os embates perdem frescor. O público já antecipa quem vai para o paredão antes mesmo da festa de sexta. Parece “Vale a Pena Ver de Novo” — só que ao vivo.
Reality show vive de tensão e viradas. Quando o poder circula, surgem alianças improváveis, traições inesperadas, reconfigurações de grupo. Quando ele estaciona, o jogo engessa. E um “BBB” engessado, ainda mais em uma edição marcada por ânimos exaltados e expulsões recentes, é um desperdício de potencial dramático.
Talvez seja hora de a produção repensar a engenharia das provas. Não para “tirar” a vitória de ninguém, mas para ampliar as possibilidades. O líder precisa ser uma conquista — não um monopólio. Porque no fim das contas, o público pode até torcer por participantes. Mas o que sustenta um reality é o espetáculo. E espetáculo não combina com mesmice.
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