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Opinião: “Coração Acelerado” fracassou, mas o talento do elenco continua intacto

Após anos longe das novelas, Isabelle Drummond, Leandra Leal, Daniel de Oliveira e Letícia Spiller voltaram em um projeto que não conquistou o público

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*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

          Quando a Globo anunciou o elenco de “Coração Acelerado”, uma das primeiras reações do público foi de entusiasmo. Afinal, a novela marcava a volta de nomes que há tempos estavam afastados do gênero, como Isabelle Drummond, Leandra Leal, Daniel de Oliveira e Letícia Spiller. Havia uma expectativa natural de rever esses atores diariamente na televisão.

          Meses depois, porém, a conversa mudou de tom. Com dificuldades para conquistar audiência e repercussão, a novela passou a ser vista como uma das maiores decepções recentes da dramaturgia da emissora. E isso levanta uma reflexão que vai muito além dos números.

          O maior risco de um fracasso comercial nem sempre é para a novela. Muitas vezes, ele acaba atingindo justamente quem menos tem responsabilidade pelo resultado.

          É comum que o público associe o desempenho de uma produção aos atores, quando, na prática, uma novela depende de uma soma de fatores: texto, direção, ritmo, estratégia de programação, concorrência e até o momento em que ela chega ao ar.

          No caso de “Coração Acelerado”, nenhum dos retornos mais aguardados decepcionou individualmente. Isabelle Drummond continua demonstrando o mesmo talento que a transformou em uma das principais atrizes de sua geração. Leandra Leal entrega a segurança de sempre. Daniel de Oliveira mantém a intensidade que marcou sua carreira. E Letícia Spiller mostra, mais uma vez, por que continua sendo um dos nomes mais carismáticos da dramaturgia brasileira.

          O problema é que boas atuações, sozinhas, não salvam uma novela. Existe ainda um efeito colateral pouco discutido. Quando um ator passa anos longe das novelas, a expectativa sobre seu retorno cresce naturalmente. Se esse retorno acontece em uma produção que não encontra o público, existe o risco de a emissora demorar a apostar novamente nesse artista, mesmo que ele tenha feito um bom trabalho.

          A televisão brasileira está cheia de exemplos de atores que participaram de novelas malsucedidas e depois protagonizaram grandes sucessos. O histórico de um profissional pesa muito mais do que o desempenho isolado de uma obra.

          Talvez a maior injustiça que “Coração Acelerado” possa cometer seja fazer com que esses retornos demorem a acontecer outra vez. Porque, se há algo que a novela deixou claro, é que talento nunca foi o problema.

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