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Opinião: Dita, Jeniffer Nascimento e a força da protagonista de “Êta Mundo Melhor!”

Walcyr Carrasco e Mauro Wilson tiveram sensibilidade em transformar a personagem não só em par romântico de Candinho (Sergio Guizé), mas em motor da história e em uma heroína por quem torcemos

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          Nem sempre uma novela entrega uma personagem que ultrapassa a trama e toca a vida de quem está em casa. Mas “Êta Mundo Melhor!” conseguiu isso com Dita, vivida por Jeniffer Nascimento.

          Há uma beleza rara nesse reencontro: nove anos depois, a atriz volta à mesma personagem de “Êta Mundo Bom!”, agora em posição de protagonista. O que poderia ser um risco — revisitar um papel que já estava arquivado na memória afetiva do público — se revelou uma das escolhas mais certeiras da televisão recente. Walcyr Carrasco e Mauro Wilson tiveram sensibilidade em transformar Dita não só em par romântico de Candinho (Sergio Guizé), mas em motor da história, em uma heroína por quem torcemos.

          Dita é a síntese da mulher guerreira, que sai da margem para ocupar o centro do palco. Literalmente. Fugida de uma vida opressiva no interior, ela encontra na música um caminho de liberdade. A cena em que é coroada rainha do rádio tem o peso de um rito de passagem — não apenas da personagem, mas também da própria Jeniffer. Afinal, não dá para separar a atriz da trajetória de coroações reais: brilhou no “Fábrica de Estrelas”, foi campeã no “Popstar” e agora vive, pela ficção, uma consagração que mistura realidade e dramaturgia.

          O detalhe mais precioso está na forma: Jeniffer canta ao vivo em todas as cenas. Isso quebra a artificialidade, aproxima e emociona. Não é só interpretação; é entrega. Tanto que uma telespectadora contou que a mãe, com Alzheimer, voltou a cantar junto ao ouvir Dita. É a prova de que a novela, quando bem feita, não fica na tela — ecoa na vida.

          E tem mais: ver uma mulher negra ocupar o posto de protagonista numa novela das seis ainda carrega um peso simbólico que não pode ser ignorado. A televisão, que tantas vezes negou essa representatividade, acerta ao colocar Jeniffer no centro da narrativa. Dita não é coadjuvante, nem estereótipo: é voz, corpo, emoção e complexidade.

          Mas o arco da personagem não se encerra com a vitória no concurso. A novela sugere que Dita continuará questionando, não vai se acomodar. É assim que deve ser: protagonista que conquista, mas também provoca. Porque um prêmio, uma coroa ou um título nunca são o ponto final — são apenas o começo de novas disputas.

          Dita, com sua força e vulnerabilidade, nos lembra que a música é linguagem de sobrevivência. E Jeniffer Nascimento, com seu talento e carisma, nos mostra que a televisão brasileira ainda pode ser espaço de emoção verdadeira, onde a arte toca fundo e deixa marcas que nenhum Alzheimer é capaz de apagar.

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