Opinião: Lázaro Ramos encerra “A Nobreza do Amor” com muitos motivos para celebrar
Na semana em que completou 48 anos, ator se despede de Jendal e coroa um ano de grandes atuações, talento e uma popularidade que atravessa gerações
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Lázaro Ramos tem uma qualidade que poucos artistas conseguem reunir: é admirado por diferentes gerações, respeitado pelos colegas de profissão e querido até por quem não acompanha tão de perto seu trabalho. Da criança que se diverte com seus personagens ao espectador mais velho, que acompanha novelas há décadas, Lázaro desperta uma simpatia quase unânime. E isso não é pouca coisa.
Nesta sexta-feira (6), na mesma semana em que completou 48 anos, o ator se despede de Jendal, o grande vilão de “A Nobreza do Amor”. A coincidência é simbólica. Depois de um ano especialmente rico em trabalhos, Lázaro encerra sua participação numa novela que merece ser lembrada pela ousadia estética, pela valorização da cultura africana e pela grandiosidade de sua produção.
Jendal foi mais uma demonstração da versatilidade de um ator que não precisa repetir fórmulas para conquistar o público. Cruel, autoritário, ambicioso e capaz das maiores atrocidades, o personagem poderia facilmente ter escorregado para a caricatura. Mas Lázaro soube encontrar nuances até num homem aparentemente incapaz de despertar qualquer sentimento positivo. Seu trabalho ajudou a dar dimensão a um vilão que certamente ocupará um lugar especial em sua trajetória.
E o mais interessante é perceber como o ator consegue transitar entre universos tão diferentes. Ainda em 2026, esteve na terceira temporada de “Os Outros”, do Globoplay, interpretando Roberto, um homem frustrado profissionalmente, que tenta reconstruir a vida ao lado da mulher, Marta (Mariana Lima). Um personagem muito distante do poderoso Jendal, numa produção de linguagem e atmosfera completamente diferentes.
O cinema também reservou grandes momentos para Lázaro em 2026. Além de integrar o elenco do suspense “Antártida”, o ator brilhou em “Feito Pipa”, de Allan Deberton, no qual interpreta o pai de um menino criado pela avó e que enfrenta dificuldades para aceitar a maneira de ser do filho.
O longa conquistou prêmios importantes no Festival de Berlim, foi reconhecido em outros festivais internacionais e rendeu a Lázaro o Kikito de Melhor Ator Coadjuvante em Gramado. Para completar, foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027. Mais uma prova de que, aos 48 anos, Lázaro vive uma fase de enorme maturidade artística, transitando entre televisão e cinema com a mesma competência e disposição para se reinventar.
São trabalhos que ajudam a explicar a longevidade artística de Lázaro. Ele não se acomoda no sucesso, não parece interessado em viver apenas de personagens que já sabe fazer bem e continua se permitindo experimentar.
Mas existe algo que vai além do talento. Lázaro é uma estrela que não parece precisar lembrar aos outros o tamanho de seu brilho. Sabe o lugar que conquistou, conhece sua importância na dramaturgia brasileira e tem plena consciência da própria trajetória. Ainda assim, preserva uma postura acessível, gentil e generosa.
É querido nos bastidores, trata a imprensa com respeito e transmite uma simpatia que não parece fabricada para entrevistas ou campanhas de divulgação. Num meio em que a fama tantas vezes cria distâncias desnecessárias, Lázaro consegue ser grande sem parecer inalcançável.
E talvez esteja aí uma de suas maiores virtudes. O público não gosta apenas dos personagens de Lázaro Ramos. Gosta de Lázaro Ramos. Existe uma relação de afeto construída ao longo dos anos, desde o inesquecível Foguinho, de “Cobras & Lagartos”, passando por tantos outros trabalhos na televisão, no cinema e no teatro.
Também não se pode ignorar a importância de sua trajetória. Um artista negro, nascido em Salvador, que começou no Bando de Teatro Olodum e conquistou espaço como ator, diretor, escritor e uma das vozes mais respeitadas da cultura brasileira. Lázaro abriu caminhos, ampliou discussões e ajudou a transformar a maneira como o protagonismo negro é visto na televisão e no audiovisual.
É bonito perceber que, depois de tantas conquistas, ele continua despertando curiosidade sobre o que fará a seguir. Porque Lázaro não é um artista que vive apenas do prestígio acumulado. Ele segue produzindo, se reinventando e encontrando novas maneiras de surpreender.
“A Nobreza do Amor” chega ao fim nesta sexta-feira, e Jendal ficará para trás. Lázaro, não. Sai de cena mais um personagem, permanece um artista que tem muito a oferecer.
Aos 48 anos, com uma carreira consolidada, o carinho do público e o respeito de seus pares, Lázaro Ramos tem motivos de sobra para comemorar. E a televisão brasileira também tem motivos para celebrar a existência de um artista como ele.
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