Opinião: “Quem Ama Cuida” acerta na química e emplaca três casais nas redes
Pedro e Adriana, Dora e André e Mau Mau e Felipe conquistam torcidas e mostram a força dos romances da novela
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
Não basta escrever uma história de amor. Não basta escalar dois atores bonitos. E muito menos colocar uma trilha romântica ao fundo e esperar que o público compre um casal. Química em novela é uma dessas coisas difíceis de fabricar — ou acontece diante da câmera ou não acontece. E “Quem Ama Cuida” conseguiu uma façanha que merece ser destacada: emplacou, ao mesmo tempo, diferentes casais com torcida forte nas redes sociais.
Pedro (Chay Suede) e Adriana (Leticia Colin), Dora (Mariana Ximenes) e André (Henrique Barreira), além de Mau Mau (João Victor Gonçalves) e Felipe (Pietro Antonelli), o já batizado “Malipe”, movimentam a internet a cada avanço de suas histórias. São casais diferentes entre si, construídos em momentos e circunstâncias distintas, mas com algo em comum: o público acredita neles.
É muito mais difícil fazer funcionar o casal central de uma novela. Pedro e Adriana chegaram à história já com a responsabilidade de carregar o grande romance de “Quem Ama Cuida”. Desde a apresentação da trama, a relação dos dois foi definida como um dos pilares da novela. O risco, nesses casos, é o público perceber demais a obrigação do roteiro: eles precisam se amar porque a sinopse determinou que assim seria.
Com Chay Suede e Leticia Colin, aconteceu o contrário. A química apareceu na tela e transformou Pedro e Adriana em “Pedriana” para os fãs. O beijo dos dois após a condenação de Adriana teve grande repercussão nas redes, e, quando finalmente aconteceu a primeira noite do casal, meses depois, a química entre os atores voltou a ser destacada pelos telespectadores.
A longa separação também ajudou. O público viu Pedro e Adriana se encontrarem, se apaixonarem, serem separados pela prisão dela e precisarem reconstruir essa relação anos depois. Houve tempo para criar expectativa. E, principalmente, havia dois atores capazes de fazer o espectador acreditar que aquele sentimento continuava existindo mesmo depois de tudo.
Com Dora e André, a novela encontrou outro tipo de química. O casal, chamado de “Andora” pelos fãs, cresceu justamente em cima de um amor reprimido. Dora e André tinham uma história anterior e passaram boa parte da trama impedidos de viver o que sentiam. Quando finalmente se beijaram, a repercussão nas redes foi imediata. E a primeira noite dos dois chegou a colocar o casal entre os assuntos mais comentados nas redes sociais.
Mas talvez nenhum caso mostre tanto a força de um “ship” quanto Mau Mau e Felipe. “Malipe” é praticamente a demonstração de como o público hoje também interfere na maneira como uma novela é recebida — e, em alguns casos, até nos caminhos que ela passa a explorar. A aproximação de Mau Mau e Felipe começou a provocar torcida nas redes antes que existisse propriamente um romance entre eles. Segundo informações publicadas sobre os bastidores da novela, Felipe nem sequer fazia parte do desenho amoroso inicialmente previsto para Mau Mau, cuja história seguiria outro caminho. A repercussão da dupla, porém, cresceu e o relacionamento ganhou espaço.
A essa altura, o romance já ultrapassou a especulação dos fãs. Mau Mau passou a admitir seus sentimentos por Felipe, os dois ganharam cada vez mais cenas juntos e a trama prepara declarações e beijo para consolidar a relação.
É aí que está um dos grandes acertos de “Quem Ama Cuida”. Uma novela pode ter uma boa história policial, vilões fortes, reviravoltas e grandes atuações. Mas o romance continua sendo um combustível poderoso para a dramaturgia — e não existe roteiro capaz de obrigar o espectador a torcer.
Quando a torcida surge, ela aparece nos comentários, nos vídeos editados por fãs, nos nomes inventados para os casais e na ansiedade pelo próximo beijo. “Quem Ama Cuida” conseguiu provocar isso mais de uma vez dentro da mesma história.
Pedriana, Andora e Malipe não disputam entre si. Cada um encontrou seu público e sua própria dinâmica. O primeiro sustenta o grande amor da novela; o segundo trabalha desejo, espera e um sentimento represado durante anos; e o terceiro nasceu e cresceu diante dos olhos de uma audiência que percebeu uma possibilidade antes mesmo de a história assumir definitivamente aquele caminho.
Em uma época em que o telespectador comenta a novela enquanto ela ainda está no ar e decide em segundos se compra ou não uma história de amor, conseguir um casal “shippável” já é uma vitória. Conseguir três na mesma novela é um feito e tanto. E “Quem Ama Cuida” pode dizer que conseguiu.
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