Crítica: 2ª temporada de “Avatar” acerta no tom, mas sofre com ritmo estrangulado
Com um tom mais sombrio e a introdução perfeita de Toph Beifong, a série ganha força e identidade, mas sofre ao tentar condensar uma história gigante
*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.
A missão de adaptar o Livro da Terra nunca seria fácil e o resultado foi empolgante. Após uma estreia morna que dividiu o público, a segunda temporada do live-action de “Avatar: O Último Mestre do Ar” desembarca na Netflix nesta quinta-feira (25/6) com a promessa de consertar os erros do passado. E a boa notícia logo de cara é que o saldo é amplamente positivo!
A série amadureceu, abraçou o carisma de seus protagonistas e encontrou um tom próprio. O problema? Ela ainda esbarra nas limitações impostas pelo formato do próprio streaming. O portal LeoDias já assistiu aos sete episódios e confirmou que o grande trunfo desta nova fase tem nome e sobrenome: Toph Beifong.
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Neste momento, a introdução da icônica dobradora cega injeta a energia caótica que o Time Aang tanto precisava para funcionar de verdade. A adaptação entrega uma personagem que mescla perfeitamente o deboche e a vulnerabilidade, transformando o grupo em uma verdadeira família.
Longe do herói, a Nação do Fogo continua provando que é a espinha dorsal dramática da produção. O trio formado por Zuko, Tio Iroh e a implacável Azula rouba a cena repetidas vezes. O arco de redenção do príncipe exilado ganha contornos mais densos e emocionantes, enquanto sua irmã aproveita o tempo extra de tela para explorar seu ressentimento e a busca doentia por aprovação do pai.
A maldição do ritmo e os tropeços visuais
Se o tom ficou mais adulto, inclusive pelo amadurecimento dos personagens, a abordagem da manipulação política e os horrores da guerra de forma competente, a estrutura narrativa sofre. Tentar espremer a genialidade de 20 episódios animados em apenas sete capítulos live-action cobra um preço altíssimo.
O ritmo é inconstante: a história corre desesperadamente para dar conta de todos os eventos-chave, sacrificando o peso dramático de momentos que precisavam respirar, enquanto perde tempo com cenas que poderiam ser ignoradas. E a estética vive um dilema parecido.
As coreografias de dobras elementais estão visivelmente mais pesadas, ágeis e impactantes. Por outro lado, a construção de mundo deixa a desejar, com efeitos que não agradam tanto. Ba Sing Se, a imponente capital do Reino da Terra, perde quase toda a sua magnitude, soando em vários momentos como um cenário de estúdio claustrofóbico, escuro e artificial.
A segunda temporada de “Avatar: O Último Mestre do Ar” é um passo firme na direção certa, ainda que não seja a obra-prima irretocável que os fãs mais nostálgicos exigem. Os realizadores finalmente entenderam que o segredo não está em fazer um “copia e cola” do desenho, mas sim em focar na alma dos personagens.
É uma aventura muito mais segura, densa e divertida do que o ano de estreia, mas para dominar os quatro elementos de vez, a Netflix precisará dar mais respiro à narrativa nas próximas temporadas.
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