Após polêmica na Record, Carol Lekker desiste da TV e volta para a Espanha “Vou fazer podcast”, diz Garotinho ao ser questionado sobre os próximos 4 anos Ex acusa cantor sertanejo de agressões, ameaça de morte e dívida de R$ 800 mil em seu nome Após anunciar término com Arthur Aguiar, Jheny Santucci se arrepende e apaga publicação
Após polêmica na Record, Carol Lekker desiste da TV e volta para a Espanha “Vou fazer podcast”, diz Garotinho ao ser questionado sobre os próximos 4 anos Ex acusa cantor sertanejo de agressões, ameaça de morte e dívida de R$ 800 mil em seu nome Após anunciar término com Arthur Aguiar, Jheny Santucci se arrepende e apaga publicação

My Chemical Romance no Allianz Parque transforma álbum clássico em experiência coletiva

Quando um disco inteiro encontra quem ainda não o conhecia

Whatsapp telegram facebook twitter

*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

        Eu cheguei ao Allianz Parque sem aquela certeza típica de quem vai reencontrar uma banda que moldou a própria adolescência. Meu vínculo com o My Chemical Romance sempre foi fragmentado: uma música descoberta por acaso, outra que grudou por semanas, referências espalhadas ao longo dos anos. Nunca houve o ritual de sentar, apertar o play e ouvir um disco inteiro. Muito menos The Black Parade. Talvez por isso a noite de 5 de fevereiro tenha sido tão surpreendente.

        Quando ficou claro que o álbum seria tocado na íntegra, a sensação foi curiosa: eu estava prestes a conhecer “de verdade” uma obra que, para as milhares de pessoas ao meu redor, já fazia parte da vida. E ali começou algo raro em shows desse porte: em vez de ansiedade por hits isolados, surgiu uma escuta atenta, quase respeitosa. Faixa após faixa, o disco se revelou para mim como uma história bem contada, emocionalmente honesta, sem medo do exagero ou da vulnerabilidade. Ao vivo, tudo ganha corpo.

        Veja as fotos

        Crédito: Reprodução
        My Chemical Romance se apresentará em SP em fevereiroCrédito: Reprodução
        Crédito: Reprodução
        My Chemical Romance se apresentará em SP em fevereiroCrédito: Reprodução
        Crédito: Reprodução
        My Chemical Romance se apresentará em SP em fevereiroCrédito: Reprodução
        Crédito: Reprodução
        My Chemical Romance se apresentará em SP em fevereiroCrédito: Reprodução

        A setlist, especialmente durante essa execução integral, funciona como uma espinha dorsal emocional do show. Quando Welcome to the Black Parade surge, o estádio muda de temperatura: não é apenas um momento musical, é um gatilho coletivo. Vi gente ao meu lado chorar sem constrangimento, abraçar desconhecidos, cantar com a voz embargada. Mesmo para mim, que não carrega décadas de memória afetiva com a banda, a força daquela música ao vivo é impossível de ignorar. Já Teenagers quebra o peso dramático com ironia e energia, lembrando que o grupo também sabe rir do próprio caos e transformar inquietação juvenil em explosão pop-punk contagiante.

        O que mais me tocou foi perceber que aquele drama todo, que poderia facilmente soar datado como muita coisa dos anos 2000, permanece incrivelmente humano. O My Chemical Romance não tentou esconder sentimentos atrás de ironia excessiva ou pose cool. Pelo contrário: cantou dor, medo, amor e perda de forma direta, quase escancarada. E isso, visto hoje, com distância e maturidade, soa ainda mais forte. No meio de um estádio lotado, me peguei absorvendo aquelas letras como se fossem novas, pois parecem novas.

        Quando o disco se encerra e o show avança para músicas de outras fases, a apresentação muda de chave. Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na) funciona como um ponto de virada: barulhenta, direta, quase anárquica, ela transforma o estádio em um grande coro desordenado. É ali que o show assume de vez o clima de celebração. No fim, vem a incontornável Helena, encerrando tudo com a carga emocional já bastante conhecida.

        A banda, por sua vez, parece plenamente consciente do que aquele álbum representa. Não há esforço para “atualizar” o passado nem para encená-lo como uma peça de museu. Existe entrega, existe respeito e existe prazer em revisitar essas músicas. O show flui como uma narrativa contínua, mas nunca engessada. Há espaço para emoção, para silêncio, para explosão. O público responde a tudo com uma devoção que impressiona e contagia até quem chegou como observador.

        Saí do estádio com a sensação boa de quem descobriu algo grande no tempo certo. Talvez eu não tenha vivido o My Chemical Romance no auge da minha adolescência, mas vivi naquela noite um primeiro contato verdadeiro, intenso e emocionalmente completo.

        E isso, no fim das contas, é o que a música faz de melhor: encontra a gente quando precisa. Mesmo que demore um pouco.

        Fique por dentro!

        Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga @leodias no Instagram.

        Agora também estamos no WhatsApp! Clique aqui e receba todas as notícias e conteúdos exclusivos em primeira mão.

        Whatsapp telegram facebook twitter