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A um passo da final: Tiago Nunes tenta fazer história na Libertadores com a LDU

Da ascensão meteórica às cicatrizes do retorno ao Brasil, técnico tenta fazer da LDU o passaporte para um feito inédito

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A noite desta quinta-feira (30/10) não será apenas mais uma semifinal de Libertadores. Será o palco de uma jornada incomum no futebol sul-americano: um técnico brasileiro, longe de casa, conduzindo um gigante equatoriano até a porta da história. Aos 44 anos, Tiago Nunes lidera a LDU diante do Palmeiras com a chance de se tornar o primeiro treinador do Brasil a conquistar a Libertadores no comando de um clube estrangeiro, com a possibilidade de um feito inédito e simbólico de uma trajetória marcada por ascensão meteórica, quedas bruscas, reconstrução e resiliência.

A semifinal coloca frente a frente um projeto consolidado sob Abel Ferreira e um trabalho silencioso que ganhou forma fora dos holofotes brasileiros. Tiago Nunes chegou à LDU depois de percorrer caminhos que poucos no país imaginavam: deixou o auge no Athletico-PR, viveu turbulências no Corinthians, no Grêmio e no Ceará, cruzou fronteiras para o Peru, arriscou retorno ao Brasil com o Botafogo, passou pelo Chile e se encontrou novamente no cenário continental.

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Da base do Athletico à consagração continental

Nascido em Santa Maria (RS), com raízes em clubes do interior e no trabalho de formação no Grêmio, Tiago Nunes saltou ao topo do futebol sul-americano entre 2018 e 2019. Com o Athletico-PR, conquistou o Paranaense com a equipe sub-23, levantou a Sul-Americana de 2018 e ganhou a Copa do Brasil de 2019, além da Levain Cup. Ali, seu futebol rápido, intenso e ousado virou referência no país. Era apresentado como a face mais promissora da nova geração de treinadores do Brasil.

Quedas, reconstrução e recomeço fora do país

O prestígio, porém, foi seguido por dificuldades. No Corinthians, viveu o contexto pandêmico e não conseguiu consolidar a mesma proposta. No Grêmio, chegou com expectativa alta, começou com título gaúcho, mas saiu diante de uma campanha ruim no Brasileiro. No Ceará, viveu instabilidade. No Sporting Cristal, encontrou fôlego e levou o clube à fase de grupos da Libertadores, antes de ser chamado por John Textor para o Botafogo. Depois de uma passagem breve no clube carioca e meses na Universidad Católica, aceitou o desafio da LDU.

A travessia internacional consolidou outra faceta: a de um treinador disposto a se adaptar, aprender e se reinventar longe do eixo brasileiro.

O projeto em Quito e a força contra brasileiros

No Equador, Tiago Nunes estabeleceu identidade competitiva: compactação, transição rápida e eficiência. Contra rivais brasileiros, o desempenho impressiona: quatro vitórias em cinco jogos, apenas um gol sofrido e 80% de aproveitamento. A LDU eliminou Botafogo e São Paulo com autoridade, sustentou postura pragmática e agora encara o Palmeiras com convicção tática.

A equipe tem menos posse, mas alto índice de conversão, marca registrada do treinador. A solidez defensiva e a capacidade de decidir nos detalhes transformaram a LDU em adversário incômodo e perigoso.

Palmeiras em grande fase e o desafio do favoritismo

Do outro lado, o Palmeiras vive talvez a fase mais exuberante da era Abel. Líder do Brasileirão, dono de uma temporada sólida e com ambições máximas, o clube busca o tetra continental e tenta evitar repetir o destino de brasileiros eliminados pelos equatorianos nesta edição. O time chega embalado e com profundidade técnica, joga em casa, mas tem o desafio de reverter o largo resultado de 3×0 que LDU converteu no Equador

Um duelo além do campo

Se alcançá-la, Tiago Nunes será o primeiro técnico brasileiro desde Tuca Ferretti em 2015 a conduzir um clube estrangeiro à final. Mais que isso, poderá ir além, mirando um título inédito para treinadores do país fora do território nacional. Para o futebol brasileiro, o momento representa reflexão: um profissional formado no país, mas lapidado no exterior, que rompeu a lógica tradicional e hoje escreve um capítulo único no continente.

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