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Brazão é punido por declarações sobre arbitragem e vira desfalque no Santos

STJD aplicou suspensão de quatro partidas e multa ao goleiro após entrevista concedida depois do clássico contra o Palmeiras

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          O goleiro Gabriel Brazão se tornou um novo problema para o Santos fora das quatro linhas. Nesta sexta-feira (29/5), o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu suspender o jogador por quatro partidas e aplicar uma multa de R$ 4 mil em razão de declarações feitas contra a arbitragem após o clássico diante do Palmeiras, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. A decisão foi tomada em primeira instância e ainda permite recurso por parte do clube.

          O caso analisado pelo tribunal teve origem em uma entrevista concedida pelo arqueiro após a partida, quando comentou um cartão amarelo recebido durante o confronto e questionou a atuação do árbitro Raphael Claus.

          Veja as fotos

          Gabriel Brazão, goleiro do Santos, ficou com "galo" na cabeça durante jogo contra Atlético-MG e foi obrigado a ser levado de ambulância / Reprodução: Instagram @/gabrielbrazao1
          Gabriel Brazão, goleiro do Santos, ficou com "galo" na cabeça durante jogo contra Atlético-MG e foi obrigado a ser levado de ambulância / Reprodução: Instagram @/gabrielbrazao1
          Reprodução/@gabrielbrazao1
          Brazão se chocou contra Ferreirinha, do São Paulo, uma semana após levar pancada de Igor Gomes, do Atlético-MG.Reprodução/@gabrielbrazao1
          Gabriel Brazão, goleiro do Santos, ficou com "galo" na cabeça durante jogo contra Atlético-MG e foi obrigado a ser levado de ambulância / Reprodução: Premiere
          Gabriel Brazão, goleiro do Santos, ficou com "galo" na cabeça durante jogo contra Atlético-MG e foi obrigado a ser levado de ambulância / Reprodução: Premiere

          “Eu acho que o Claus foi bem criterioso ali pela torcida, e tudo. Eu acho que, no meu ver, não merecia. Tanto que, quando eu ia tocar a bola, o Flaco tava dentro da área, isso não pode e eu avisei ele, e logo após que eu tocar ele me dá um amarelo”, afirmou o jogador na ocasião.

          Ao prosseguir com a análise da arbitragem, Brazão também declarou: “Então, é complicado isso, mas como eu disse isso aí é questão de arbitragem, não cabe a mim dizer se é certo ou não, mas eu acho que ele foi bem criterioso, por tá na casa do Palmeiras a gente sabe que na dúvida é sempre eles.”

          As declarações motivaram a denúncia com base no artigo 243-F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de ofensas à honra relacionadas ao esporte. Durante o julgamento, a defesa do goleiro sustentou que as falas representavam uma crítica esportiva e não uma tentativa de ofender a equipe de arbitragem.

          Representante de Brazão no tribunal, o advogado Marcelo Mendes argumentou que o contexto da entrevista deveria ser levado em consideração pelos auditores.

          “Não há como fugir da argumentação de que não se trata de ofensa à equipe de arbitragem. Nesse caso, foi uma entrevista no pós jogo, contextualiza, inclusive, que não foi uma declaração, os atletas são obrigados a passar pela zona mista”, afirmou.

          O defensor também destacou que o atleta respondeu a perguntas feitas pela imprensa e não realizou uma manifestação espontânea.

          “Eles são perguntados pela imprensa, não foi uma declaração espontânea. A postura ali não era de ofensa, ou de desrespeito, mas de crítica. O pedido da defesa não poderia ser outro a não ser pela total absolvição”, completou.

          A argumentação, porém, não prevaleceu. Relator do processo, o auditor Rafael Bozzano entendeu que as declarações atribuíram parcialidade ao árbitro e ultrapassaram os limites da crítica esportiva.

          “Imputar a um árbitro que suas decisões são influenciadas pelo mando de campo de forma sistemática não é crítica desportiva legítima, é acusação de parcialidade e parcialidade, no exercício da função arbitral, representa conduta ética e deontologicamente grave, capaz de atrair, inclusive, responsabilidade disciplinar”, explicou.

          Ao fundamentar seu voto, Bozzano ressaltou o papel da arbitragem dentro das competições.

          “O árbitro é a autoridade que simboliza a imparcialidade e a neutralidade dentro de campo e tem a sua honra objetiva diretamente atingida quando se afirma publicamente que as suas decisões, na dúvida, favorecem sistematicamente o mandante”, afirmou.

          O auditor concluiu que a fala não deixava margem para interpretação subjetiva. “O trecho não é hesitação, é assertivo. Por essa razão, reconheço a tipicidade da conduta do 243-F do CBJD”, finalizou.

          Se a punição for mantida, Gabriel Brazão ficará fora dos compromissos do Santos contra Vitória, Botafogo, Chapecoense e São Paulo. O primeiro deles acontece já neste sábado (30/5), na Vila Belmiro, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.

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