Corinthians aciona CBF em disputa com Bahia por jovem da base; entenda
Clube paulista acionou a Câmara Nacional de Resolução de Disputas e pediu sanções após acusar rival de aliciamento e irregularidades na transferência
A transferência do atacante Kauê Furquim, de 16 anos, ganhou novos capítulos. O Corinthians acionou o Bahia na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, e protocolou pedido de medidas de caráter “condenatório” e “sancionatório” contra o clube nordestino. No documento, o Timão voltou a alegar “nítido aliciamento de atleta sob contrato” na negociação envolvendo a joia da base. O clube paulista afirma que o Bahia esvaziou o direito de preferência previsto na legislação brasileira.
Segundo o Corinthians, houve descumprimento do parágrafo 8 do artigo 29 da Lei Pelé (Lei 9.615/98), que estabelece: “§ 8º – Para assegurar seu direito de preferência, a entidade de prática desportiva formadora e detentora do primeiro contrato especial de trabalho desportivo deverá apresentar, até 45 (quarenta e cinco) dias antes do término do contrato em curso, proposta ao atleta, de cujo teor deverá ser cientificada a correspondente entidade regional de administração do desporto, indicando as novas condições contratuais e os salários ofertados, devendo o atleta apresentar resposta à entidade de prática desportiva formadora, de cujo teor deverá ser notificada a referida entidade de administração, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data do recebimento da proposta, sob pena de aceitação tácita”.
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O clube também sustenta que houve infração ao Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol (RNRTAF) e aos regulamentos da Fifa. O artigo 25 do RNRTAF estabelece: “Art. 25 – O clube que pretenda celebrar contrato de trabalho com atleta profissional ou treinador de futebol deverá informar ao clube atual do mesmo, por escrito, antes de entrar em negociações com o profissional”.
Na visão do Corinthians, o Bahia atuou como “intermediador de negócios” para o Grupo City, que controla a SAF do Tricolor de Aço, com o objetivo de pagar apenas R$ 14 milhões pela multa nacional. Para o mercado externo, a rescisão estava estipulada em 50 milhões de euros, cerca de R$ 315 milhões.
O que o Corinthians pede
Entre as medidas solicitadas, o Timão cobra indenização no valor de 200 vezes o salário mensal oferecido pelo Bahia a Kauê Furquim. Além disso, solicita que a CNRD aplique penalidades previstas no artigo 56 do regulamento do órgão, por entender que houve aliciamento e negociações irregulares.
O clube também pede que o Bahia seja condenado ao pagamento da multa internacional caso Kauê seja transferido para outro integrante do Grupo City quando atingir 18 anos.
Outro pedido feito à CNRD é que Bahia e atleta apresentem toda a documentação da negociação, incluindo mensagens, propostas, e-mails e áudios trocados entre as partes ou seus representantes legais.
O caso
Kauê Furquim foi formado no Corinthians e assinou seu primeiro contrato profissional em abril, com multa nacional de R$ 14 milhões e internacional de 50 milhões de euros. O Bahia, sob gestão do Grupo City, pagou a multa nacional e registrou o jogador no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF.
O atacante já havia sido relacionado para partidas do time principal do Corinthians contra Ceará e Fortaleza, pelo Brasileirão. A saída do jovem surpreendeu os dirigentes alvinegros, que ainda negociavam um aumento salarial com seu estafe.
Em entrevista ao ge, o diretor das categorias de base do clube, Carlos Roberto Auricchio, conhecido como Nenê do Posto, declarou que o Corinthians foi “enrolado” pelos representantes do atleta.
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