Crise no São Paulo se agrava, e oposição fala em “fundo do poço” ao pedir renúncia de Casares
Abaixo-assinado de conselheiros pressiona presidente após goleada por 6 a 0 e expõe racha interno no clube e leva diretoria a divulgar nota oficial com mudanças no departamento de futebol
Um dia após a derrota por 6 a 0 para o Fluminense, conselheiros da oposição do São Paulo lançaram, na manhã desta sexta-feira (28/11), um abaixo-assinado pedindo a renúncia do presidente Julio Casares. O grupo espera ampliar o número de assinaturas para além dos mais de 50 oposicionistas, contando com possíveis adesões de integrantes da situação, que vive um racha interno.
O grupo político ligado ao diretor de futebol Carlos Belmonte, formado por cerca de 40 conselheiros, pode aderir ao movimento. Belmonte tem se afastado de Casares e não compareceu ao Maracanã na noite da derrota, a maior da história do confronto entre São Paulo e Fluminense.
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Cenários para a sucessão
Com um ano de mandato restante e impossibilitado de disputar a reeleição, Casares trabalha nos bastidores para que Marcio Carlomagno, superintendente geral do clube, seja seu sucessor. Carlomagno passou a atuar nas últimas semanas ao lado do departamento de futebol, ampliando seu poder interno.
Parte da oposição avalia lançar uma chapa com Vinícius Pinotti e Marco Aurélio Cunha. Cunha é visto por lideranças oposicionistas como nome capaz de conduzir uma reorganização administrativa, em um momento em que a dívida do clube ultrapassa R$ 1 bilhão.
Nota oficial e mudanças no futebol
No fim da manhã desta sexta-feira, o São Paulo chegou a divulgar uma nota oficial anunciando alterações no departamento de futebol. Segundo o comunicado, apenas o executivo e coordenador foram mantidos para o comando e planejamento para a próxima temporada. Dentra as saída, está Carlos Belmonte, diretor de futebol do tricolor paulista. Às 16h está marcada uma entrevista coletiva do presidente Júlio Casares.
“O São Paulo Futebol Clube informa que Carlos Belmonte Sobrinho, Nelson Marques Ferreira e Fernando Bracalle Ambrogi deixam de ter suas atribuições no departamento de futebol. O executivo Rui Costa e o coordenador Muricy Ramalho seguem no comando do futebol e planejamento para 2026”, diz a nota.
Bastidores da oposição
De acordo com a ESPN, em reunião recente, oposicionistas concluíram que o clube vive sua pior fase. Um dirigente sintetizou o sentimento do grupo ao afirmar: “Já passamos do poço, chegamos na fossa”, relacionando o comentário à atual direção e às tentativas de equilibrar as contas com vendas de jogadores formados na base.
Procurado pela própria ESPN para comentar o abaixo-assinado, Casares não respondeu. A crise financeira persiste mesmo após a criação de um fundo destinado à recuperação econômica. A diretoria solicitou recentemente um empréstimo bancário de R$ 25 milhões, enquanto os atletas acumulam dois meses de atraso no pagamento dos direitos de imagem.
Desabafo de Luiz Gustavo aumenta pressão
No Maracanã, o volante Luiz Gustavo, capitão na partida em razão dos desfalques, criticou a ausência de responsabilidade da direção após a goleada. Ele disse que a crise exige posicionamento de quem ocupa cargos de liderança. “Está na hora do São Paulo começar a colocar as caras quem tem que colocar, assumir as responsabilidades”, afirmou.
O jogador reforçou que a cobrança deve partir do topo da estrutura: “Todo mundo tem responsabilidade, assumir de cima para baixo”. Com contrato perto do fim, Luiz Gustavo afirmou que ainda não decidiu seu futuro, mas ressaltou que pretende manter a postura de “cabeça erguida”.
O diretor Rui Costa, que esteve no Maracanã, afirmou que o desabafo ocorreu “de cabeça quente” e pediu desculpas à torcida, sem comentar os problemas estruturais da gestão.
Aprofundamento da crise no futebol
A instabilidade administrativa tem afetado o departamento de futebol. Neste ano, o São Paulo negociou jovens da base por valores considerados pouco competitivos no mercado. Contra o Fluminense, devido aos 16 desfalques, sendo 13 por lesão, o técnico Hernán Crespo não conseguiu completar o banco de reservas.
Casares, que não tem comparecido a jogos alegando questões médicas, participou recentemente de eventos como a Fórmula 1 em Interlagos e de uma palestra na CBF sobre gestão de clubes, o que gerou críticas internas e de torcedores.
Distanciamento da torcida e protestos
O desgaste com a torcida aumentou nas últimas semanas. Parte dos são-paulinos critica o fato de o clube mandar jogos fora do Morumbis no momento mais tenso da temporada. Há possibilidade de que o confronto com o Internacional, na próxima semana, ocorra na Vila Belmiro para evitar protestos mais intensos no estádio.
Durante a madrugada após a goleada, muros do Morumbis foram pichados. Entre as mensagens deixadas pelos torcedores, uma sintetizou o ambiente: “Acabou a paciência”.
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