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Flamengo se manifesta sobre possível fim das bets e alerta para impacto no esporte

Clube defende manutenção do mercado regulado e afirma que uma mudança no setor afetaria clubes, empregos, investimentos e arrecadação

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          O Flamengo se manifestou, nesta sexta-feira (25/9), sobre a possibilidade de novas restrições ao mercado de apostas no Brasil. Em nota oficial, o clube defendeu a manutenção do modelo regulado e afirmou que uma mudança abrupta nas regras teria reflexos sobre o esporte brasileiro e sobre empresas e trabalhadores ligados à cadeia das apostas.

          A discussão ganhou força diante da possibilidade de o governo federal adotar novas medidas para restringir ou proibir atividades relacionadas às bets. O debate envolve tanto as plataformas de apostas esportivas quanto os cassinos on-line e já provocou manifestações de clubes e empresas do setor.

          Veja as fotos

          Gilvan de Souza/Flamengo
          FlamengoGilvan de Souza/Flamengo
          Internet Reprodução
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          Na avaliação apresentada pelo Flamengo, o Brasil passou por um processo de regulamentação que envolveu Congresso, governo e empresas. O clube argumenta que operadores autorizados fizeram investimentos e assumiram compromissos financeiros com base nas regras estabelecidas.

          “Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, diz um trecho da nota.

          Flamengo diferencia regulamentação de proibição

          O clube afirmou que eventuais problemas no modelo atual podem ser corrigidos por meio de mudanças nas regras, fiscalização e punições. A posição apresentada é pela manutenção de um mercado submetido à legislação brasileira: “Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.”

          O Flamengo também relacionou a discussão à chamada segurança jurídica. Segundo o clube, o princípio não envolve apenas as empresas de apostas, mas também instituições que fazem investimentos e estabelecem contratos de longo prazo considerando as normas vigentes: “Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.”

          Clube cita impacto em diferentes áreas do esporte

          Na nota, o Flamengo afirmou que uma eventual mudança no mercado teria consequências para diferentes segmentos esportivos. O clube mencionou o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.

          A argumentação também inclui empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços que integram a cadeia econômica ligada ao esporte: “A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro. Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.”

          “O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica”, acrescentou.

          O clube também destacou a arrecadação gerada pelo mercado regulado por meio de impostos e das destinações previstas na legislação: “Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade. Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.”

          Avanço do mercado ilegal

          Outro ponto levantado pelo clube é o possível crescimento das plataformas clandestinas caso as empresas autorizadas deixem de operar. O Flamengo afirma que uma eventual proibição não eliminaria a prática das apostas e poderia transferir parte da atividade para operadores que não estão submetidos ao mesmo sistema de fiscalização: “E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.”

          “Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço”, pontua.

          A nota cita uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 com 2.291 apostadores, e um estudo da LCA Consultores baseado nesses dados. Segundo os números apresentados pelo Flamengo, entre 38% e 44% do valor apostado on-line no Brasil ocorreria em plataformas clandestinas.

          O clube também afirma que a estimativa teria sido de 41% a 51% em 2025, indicando redução da participação ilegal após a regulamentação: “Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.”

          O governo, por sua vez, vem adotando medidas de combate ao mercado ilegal. Em setembro, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda publicou uma portaria ampliando mecanismos para identificar e interromper transações relacionadas a operações irregulares.

          Clube reforça posição pela manutenção do mercado regulado

          Ao final da manifestação, o Flamengo defendeu que o combate às apostas ilegais seja mantido, mas sem a desmontagem do mercado autorizado e fiscalizado pelo Estado: “O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.”

          “E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade. O Brasil precisa combater o jogo ilegal. Precisa proteger sua população”, pontu.a.

          A nota conclui defendendo a manutenção do ambiente regulado e dos investimentos já realizados no setor: “Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas. O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”

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