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Após acordo com MPF, família de Preta Gil não recua em processo contra padre

O sacerdote fez um acordo para não responder criminalmente por intolerância religiosa, mas a defesa da cantora aponta contradições e exige indenização

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          A família de Preta Gil (1974-2025) parece não ter interesse em deixar passar um episódio de intolerância religiosa, após o padre Danilo César fechar um acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Os familiares de Gilberto Gil entraram com um processo criminal após uma fala polêmica e agora seguem firmes com uma ação civil por danos morais.

          A defesa da família aponta graves contradições na postura do religioso entre os tribunais e cobra uma indenização de R$ 370 mil, além de uma retratação e reparação social adequadas. O caso aconteceu no dia 27 de julho do ano passado, após o falecimento da artista, durante uma missa transmitida ao vivo pela internet direto da Paróquia de São José, na cidade de Areial (PB).

          Veja as fotos

          Crédito: Reprodução Multishow
          Preta Gil morreu aos 50 anos em 20 de julho de 2025, em Nova York (EUA)Crédito: Reprodução Multishow
          Crédito: Reprodução Instagram @pretagil
          Preta GilCrédito: Reprodução Instagram @pretagil
          Reprodução: Instagram
          Preta Gil e mãe, Sandra GadelhaReprodução: Instagram

          Na ocasião, o padre usou o púlpito para zombar da morte da cantora Preta Gil, que faleceu vítima de um câncer colorretal nos Estados Unidos, e atacar religiões de matriz afro-indígena. Em um trecho, ele disparou: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”.

          Não satisfeito, o líder religioso ainda disparou contra os fiéis de sua própria região que frequentassem terreiros em cidades vizinhas, como Puxinanã e Pocinhos. O sacerdote chamou a fé alheia de “coisas ocultas”, desejou que “o diabo levasse” quem buscasse essas práticas e que essas pessoas acordassem “com calor no inferno”.

          Acordo com o padre foi assinado para não ir a julgamento na esfera criminal

          A denunciada na época aconteceu por uma associação cultural afro-brasileira local, que registrou um boletim de ocorrência. Para não ir a julgamento na esfera criminal, o padre assinou um Acordo de Não Persecução Penal em fevereiro deste ano, que impôs uma série de castigos pedagógicos.

          Entre as punições, ele teve que pagar uma multa de quase R$ 5 mil para uma entidade afrodescendente e precisará cumprir 60 horas de cursos sobre combate à intolerância religiosa. A Justiça também obrigou o sacerdote a escrever, à mão, resenhas de livros e documentários focados na cultura afro-brasileira e no racismo, que devem ser entregues até junho.

          Inclusive, a pena exigia a participação dele em um ato inter-religioso com a presença de familiares de Gilberto Gil. O encontro aconteceu no dia 6 de fevereiro, mas o padre optou por ficar em silêncio absoluto durante todo o evento.

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