De paciente terminal a símbolo de resiliência: a trajetória de Isabel Veloso
A influenciadora de 19 anos, que faleceu neste sábado (10/1), transformou seu diagnóstico em um diário digital de esperança e realizou o sonho da maternidade
A morte da influenciadora paranaense Isabel Veloso, confirmada neste sábado (10/1) pelo marido, Lucas Borbas, encerrou um capítulo de intensa luta pública pela vida. Aos 19 anos, ela deixou um legado que transcendeu o diagnóstico médico, marcado pela realização de sonhos considerados impossíveis e por uma conexão profunda com seus seguidores.
A batalha começou cedo, em 2021, quando ela tinha apenas 15 anos e descobriu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que se origina no sistema linfático, mudando drasticamente sua rotina. Daí por diante, houve uma sequência agressiva de tratamentos, incluindo sessões de quimioterapia e um transplante de medula óssea autólogo (com as próprias células-tronco), que levaram à remissão da doença em 2023.
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Por outro lado, a calmaria foi breve. Em janeiro de 2024, a doença retornou de forma ainda mais agressiva. Foi nesse momento que ela ganhou uma maior projeção nacional ao compartilhar que havia recebido um prognóstico de câncer terminal, com uma expectativa de vida curta, estimada em meses pelos médicos.
“Viver sem cura, mas com vida” foi uma das frases ditas por Isabel Veloso, que chegou a ser alvo de uma polêmica com internautas que questionavam sua real situação com a doença. Diante do cenário adverso, a influenciadora tomou uma decisão que se tornou a base de sua presença digital: optou por cuidados paliativos focados em qualidade de vida, declarando que seu objetivo não era mais a cura a qualquer custo, mas viver intensamente o tempo que lhe restava.
Sua conta no Instagram, que rapidamente conquistou milhões de seguidores, virou um diário dessa filosofia. Isabel compartilhava as dores do tratamento, mas também a “lista de desejos” que pretendia cumprir. Em abril de 2024, ela realizou um desses grandes sonhos ao se casar com Lucas Borbas em uma cerimônia civil e, posteriormente, religiosa.
O milagre da maternidade de Isabel
Contra muitas probabilidades e críticas de quem duvidava de sua capacidade física, Isabel engravidou. Em dezembro de 2024, ela deu à luz Arthur, seu primeiro filho com Lucas. O menino nasceu prematuro, com 32 semanas, mas saudável, simbolizando para a influenciadora a maior vitória contra o tempo que lhe fora dado.
O pequeno completou um ano recentemente, em dezembro de 2025, data que a mãe pôde celebrar ainda em vida, mas sem marcar presença na festinha simbólica, pois estava no hospital. Em uma reviravolta em seu tratamento, a jovem voltou a buscar alternativas clínicas mais invasivas.
Em outubro do ano passado, ela submeteu-se a um novo transplante de medula óssea, desta vez alogênico, tendo o próprio pai como doador, em uma tentativa de conter o avanço da doença. Desde novembro de 2025, no entanto, seu quadro clínico complicou-se e começou a gerar muitas preocupações.
Internada em estado grave em Curitiba, ela enfrentou intercorrências severas, incluindo pneumonia e uma condição conhecida como “doença do enxerto contra o hospedeiro” (uma rejeição ao transplante), que a levou à UTI e à intubação nas últimas semanas.
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