Quando a Sapucaí encontra Milão: Juliana Paes entra para a história ao levar Dolce & Gabbana para o posto de rainha de bateria
Juliana Paes atravessou a Marquês de Sapucaí como rainha de bateria vestindo Dolce & Gabbana e transformou o desfile em um encontro direto entre tradição carnavalesca e alta moda global
O Carnaval brasileiro sempre foi sinônimo de brilho, excesso e espetáculo — mas raramente carregou uma etiqueta internacional oficialmente assinada na figura mais simbólica da avenida. Em 2026, esse cenário mudou. Juliana Paes atravessou a Marquês de Sapucaí como rainha de bateria vestindo Dolce & Gabbana e transformou o desfile em um encontro direto entre tradição carnavalesca e alta moda global.
Historicamente, as fantasias das rainhas sempre foram criadas por carnavalescos e ateliês ligados às próprias escolas de samba. O luxo sempre esteve presente, traduzido em cristais, penas e estruturas imponentes, mas sem a assinatura explícita de uma maison internacional. A participação da Dolce & Gabbana marca, portanto, uma virada simbólica: o Carnaval deixa de ser apenas inspiração estética para a moda e passa a ocupar lugar estratégico dentro do universo do luxo.
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A escolha da grife italiana não aconteceu por acaso. A Dolce & Gabbana construiu sua identidade visual baseada no barroco siciliano, na religiosidade exuberante e na sensualidade latina — códigos que dialogam diretamente com a grandiosidade da Sapucaí. Vestir uma rainha de bateria é quase uma extensão natural do DNA da marca, que sempre celebrou o corpo feminino, o brilho intenso e a teatralidade.
Batizada de “Brilho eterno da rainha”, a fantasia homenageou a trajetória das mulheres que já ocuparam o posto na Viradouro. O figurino trouxe a proposta de “joia-lingerie”, com sutiã em formato de coração, flores aplicadas e cascatas de cristais em tons de prata, vermelho e dourado. Correntes e pedrarias criaram movimento na avenida, enquanto a coroa estrelada simbolizava as conquistas da escola. A peça exigiu cerca de 250 horas de trabalho e envolveu artesãos no Brasil e na Itália — um diálogo literal entre o barracão e Milão.
Estimado em aproximadamente R$ 600 mil, o look entra para a história como uma das fantasias mais valiosas já usadas por uma rainha de bateria. Mais do que um número, o investimento revela o reconhecimento do Carnaval como plataforma global de visibilidade, onde moda e cultura popular se encontram sem hierarquias.
A consagração veio com a vitória da Viradouro, reforçando o caráter histórico do momento. A primeira rainha oficialmente vestida por uma maison internacional não apenas brilhou na avenida — ela simbolizou uma nova fase em que o luxo internacional entende que a passarela mais vibrante do mundo talvez não esteja em Paris ou Milão, mas no compasso de uma bateria brasileira.
O Carnaval sempre teve luxo. Agora, ele também tem assinatura.
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