Avó relata estado de adolescente após estupro e diz que suspeito intimidou família: “Apavorada”
"Ela pediu para parar dezenas de vezes", relatou avó da vítima em entrevista ao Fantástico
Atenção: a matéria a seguir traz conteúdos sensíveis e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
Familiares da adolescente de 17 anos que denunciou ter sido vítima de um estupro coletivo em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, falaram sobre o caso em entrevista exibida pelo Fantástico no domingo (8/3). O irmão da jovem contou que foi procurado por ela logo após a violência e descreveu o desespero da vítima naquele momento. Já a avó materna, responsável legal pela adolescente, revelou o choque ao descobrir o que havia acontecido e os ferimentos que encontrou no corpo da neta.
Para preservar a identidade da vítima, os nomes da família não foram divulgados. O irmão lembrou que recebeu uma mensagem da jovem pedindo socorro pouco depois do crime. “Ela me mandou mensagem, falou: ‘Preciso de ajuda agora, é sério’. Ela falou: ‘Acho que fui estuprada’. E ali, quando ela contou, ela desabou”, contou.
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Após receber o relato, ele procurou imediatamente a avó da adolescente para explicar a situação. A mulher também é responsável pela irmã mais nova da jovem, de 12 anos. Durante a entrevista, a avó afirmou que inicialmente imaginou que a violência tivesse sido cometida por apenas uma pessoa, e não por um grupo. Segundo ela, a gravidade do caso só ficou clara quando conseguiu conversar com a neta.
“Eu fiquei apavorada, porque eu achei que fosse uma pessoa. Eu perguntava, mas ela não conseguia falar. Mas ela me confirmou com a cabeça e voltou a me pedir desculpas, como se eu fosse julgá-la”, recordou, emocionada.
A mulher também contou que percebeu diversas marcas de agressão espalhadas pelo corpo da adolescente. “Ela me abraçou e falou: ‘Mãe, desculpa’. Eu falei: ‘Desculpa de quê? Você não teve culpa’. [Os hamatomas] não era um roxo, era um roxo preto, em várias partes. Fiquei apavorada”, relatou.
De acordo com a avó, a jovem também descreveu que foi agredida quando tentou interromper as ações dos suspeitos.
“Ela pediu para ir embora. Ela não queria ficar mais. Ela pediu para parar dezenas de vezes. E quando ela pediu para parar, foi ai que ela apanhou. Eles subiram em cima da cama e chutaram, chutaram ela até ela cair da cama. E continuaram chutando a minha filha”, disse.
Diante do relato, a família procurou imediatamente a polícia para registrar a ocorrência. A avó contou que informou às autoridades que o crime havia ocorrido pouco tempo antes. “Eu falei: ‘Doutor, tem menos de uma hora. De repente, eles ainda estão lá [no apartamento]”, lembrou.
Policiais foram até o endereço indicado, na Rua Ministro Viveiros de Castro, na tentativa de localizar os suspeitos em flagrante, mas eles já haviam deixado o imóvel.
O Fantástico teve acesso a documentos da investigação, que incluem o depoimento da vítima. Segundo a adolescente, ela estava no quarto com um menor de idade quando quatro homens adultos entraram no local.
“Ele começou a falar coisas para lhe convencer a ter relações com os amigos. A declarante negou o tempo todo. [Os suspeitos] lhe trancaram dentro do quarto. A declarante tentou sair da situação, mas não conseguiu. Mediante cárcere privado, permitir que prosseguissem nas agressões sexuais e físicas, mediante socos, tapas e puxões de cabelo”, descreve o registro.
Conforme o relato, as agressões teriam durado cerca de uma hora. Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram a vítima e o menor deixando o apartamento após o crime. Em outro momento, já dentro do elevador, os suspeitos aparecem comemorando. “A mãe de alguém teve que chorar porque as nossas mães hoje…”, diz o menor aos demais envolvidos, em uma gravação.
Responsável pelas investigações, o delegado Angelo Lages afirmou que exames realizados pelo Instituto Médico Legal confirmaram ferimentos compatíveis com a versão apresentada pela vítima. “Ela teve lesões nas partes íntimas, nas costas e no glúteo. E, inclusive, havia a suspeita de uma fratura na costela”, explicou.
Adolescente considerado o mentor do crime passou a cercar irmã de 12 anos da vítima
Após a denúncia, segundo a família, o adolescente apontado como participante do crime continuou frequentando a escola e passou a circular perto da irmã mais nova da vítima, o que gerou preocupação. “Ele estava rondando ela, mostrando para minha filha de 17 anos que se ela abrisse o bico, a minha pequena estava na mira”, afirmou a avó.
De acordo com a polícia, o menor é considerado peça-chave no caso, já que era quem mantinha proximidade e confiança com as vítimas.
Em nota, o Colégio Pedro II, onde o grupo estudava, declarou que todas as denúncias são acolhidas e medidas cabíveis são tomadas. “Sobre a violência ocorrida em 31 de janeiro de 2026, o Campus Humanitá II instaurou um Processo Disciplinar Discente, cujo trâmite poderá culminar no desligamento compulsório dos envolvidos”, salientou a instituição.
Ao final da reportagem, a avó da adolescente desabafou em meio ás lágrimas: “Depois dela quase desistir da vida, com todo o apoio que teve essa repercussão, principalmente de mulheres, ela conseguiu tentar dar uma chance para ela. Se ela disser: ‘Chega, eu não quero mais’… Na hora de dizer não é não. Só respeita isso”.
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