Decisão de Lula contra bets provoca onda de ataques dos maiores clubes do país contra o governo
Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e outros gigantes já haviam criticado a possibilidade de proibição e agora enfrentam o impacto direto da medida
O tiro saiu pela culatra: a decisão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de proibir as bets no Brasil colocou o governo federal em rota de colisão com alguns dos maiores clubes do país. Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Botafogo, Fluminense, Vasco e Cruzeiro estão entre as equipes que já se manifestaram contra o fim do mercado regulado e defendem outro caminho: fiscalização mais rígida, proteção ao apostador e combate às plataformas clandestinas, sem eliminar uma fonte importante de receita do futebol.
A reação dos clubes não surgiu depois da assinatura da medida provisória. Em 17 de setembro, antes da decisão definitiva do governo, equipes e federações publicaram um manifesto em defesa da manutenção das bets regulamentadas. O documento reconheceu os problemas sociais provocados pela expansão das apostas, mas sustentou que eles deveriam ser enfrentados com fiscalização, prevenção, educação e mecanismos de proteção ao consumidor.
Veja as fotos
O argumento financeiro é um dos principais pontos levantados pelos clubes. Segundo levantamento divulgado após a decisão, as empresas de apostas movimentaram R$ 1,14 bilhão em patrocínios aos clubes da Série A em 2025, valor equivalente a 7,9% das receitas totais dessas equipes. Antes da proibição, 13 clubes da elite tinham casas de apostas como patrocinadoras máster.
Na prática, a medida atinge contratos que já estavam incorporados ao planejamento de grandes equipes. Os clubes argumentam que o impacto não se limita às placas de publicidade ou às camisas: o dinheiro das bets também movimenta outras áreas da cadeia econômica do futebol, incluindo empresas de mídia e direitos de transmissão.
Gigantes colocaram dinheiro na mesa
Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo estão entre os nomes de maior peso envolvidos na reação. A movimentação conjunta chama atenção justamente porque reúne clubes que concentram algumas das maiores torcidas e receitas do país.
O manifesto divulgado pelos clubes foi direto ao defender a continuidade do mercado regulado. A avaliação apresentada pelas equipes é de que simplesmente retirar as empresas autorizadas do mercado não necessariamente elimina o hábito de apostar. Na visão defendida pelas entidades, existe o risco de parte desse público migrar para plataformas clandestinas, que não estão submetidas às mesmas regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Esse é um dos pontos centrais da defesa das bets regulamentadas: em vez de deixar o apostador sem alternativas legais, os clubes defendem que o poder público aperte a fiscalização sobre empresas irregulares e aperfeiçoe as regras existentes. A posição foi apresentada no manifesto assinado pelas entidades esportivas.
O impacto não fica só nos gigantes
Outro argumento apresentado pelos clubes é que o dinheiro das bets não chega somente às equipes de maior torcida. O manifesto destacou que os recursos também alcançam clubes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.
Isso amplia o alcance da discussão. Para os clubes, a retirada abrupta de uma indústria que se tornou relevante para o financiamento do futebol pode atingir uma cadeia muito maior do que os grandes contratos estampados nas camisas das principais equipes.
A preocupação já havia aparecido antes mesmo da medida provisória. Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, por exemplo, participaram de articulações na Federação Paulista de Futebol diante de propostas de restrição à publicidade das bets. Na ocasião, representantes dos clubes discutiram justamente o risco de perda de receitas.
Governo decidiu pelo fim
Apesar da pressão dos clubes, Lula assinou nesta sexta-feira (25) a medida provisória que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. A medida começa a produzir efeitos imediatamente.
O cronograma prevê que as plataformas deixem de operar a partir de 6 de outubro. Até 5 de outubro, às 23h59, os apostadores poderão retirar voluntariamente os valores disponíveis. As empresas também terão de retirar publicidade e patrocínios até o início de outubro.
A decisão veio acompanhada de uma promessa de diálogo com o futebol. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende chamar clubes e federações para dimensionar o impacto da perda dos patrocínios. Segundo ele, não há, neste momento, previsão de socorro imediato às equipes.
A resposta dos clubes
O cenário criado pela MP coloca frente a frente duas visões. De um lado, o governo argumenta que as apostas se tornaram um problema social grave e que é necessária uma medida mais protetiva. De outro, os clubes defendem que o mercado legal e regulamentado deve ser mantido, com regras mais rígidas, fiscalização e combate às plataformas clandestinas.
Lula já havia respondido aos clubes antes mesmo da assinatura da MP. Em 18 de setembro, o presidente afirmou que era uma “balela” dizer que o futebol acabaria sem as bets e citou clubes campeões mundiais em períodos anteriores à expansão das casas de apostas.
O problema é que, independentemente da discussão sobre a dependência ou não do futebol em relação às bets, o dinheiro desse mercado já fazia parte das receitas de dezenas de equipes. Agora, os clubes terão de lidar com a perda dessa fonte de financiamento, enquanto o governo promete avaliar posteriormente o tamanho do impacto.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga @leodias no Instagram.
Agora também estamos no WhatsApp! Clique aqui e receba todas as notícias e conteúdos exclusivos em primeira mão.




