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Estudantes denunciam câmeras em banheiro de colégio Cívico-Militar no Paraná; pais protestam

Estudantes afirmam que câmeras gravavam cabines e espelhos dos banheiros; escola diz que equipamentos monitoravam apenas as entradas

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          Pais e estudantes organizaram uma manifestação nesta terça-feira (20/10), em frente ao Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no norte do Paraná, após descobrirem câmeras de segurança instaladas nos banheiros da instituição. A situação gerou revolta entre alunos e familiares, que questionam uma possível violação de privacidade. O caso foi levado à Polícia Civil e deverá ser investigado.

          A descoberta aconteceu na segunda-feira (19/10), quando uma aluna decidiu verificar de perto um aparelho instalado na parede do banheiro, que emitia uma luz vermelha. Por trás do plástico, havia um dispositivo que gravava imagens. Outro estudante fotografou o sistema de monitoramento da escola e registrou como eram os vídeos captados, que mostravam as cabines e os espelhos do ambiente.

          Veja as fotos

          Reprodução g1
          Reprodução g1
          Reprodução g1
          Reprodução g1
          Reprdoução Jornal Hoje
          Reprdoução Jornal Hoje

          De acordo com o boletim de ocorrência, as alunas sabiam da existência de um equipamento no local há três anos. Na época, porém, a direção teria informado que se tratava de um sensor de fumaça, instalado para evitar que os estudantes fumassem no banheiro.

          Ainda segundo o documento, as jovens relataram que utilizaram recentemente a área comum do banheiro e trocaram de roupa para uma sessão de fotografias. O boletim aponta que a situação significa que os corpos das estudantes, incluindo a nudez, teriam sido expostos e registrados sem consentimento.

          Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, uma das alunas afirmou que a escola não comunicou a existência das câmeras e que os responsáveis não assinaram nenhum termo autorizando a captação de imagens no local. “Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, disse a estudante.

          Em nota, a equipe diretiva do colégio afirmou que os equipamentos estavam direcionados às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino e, segundo a instituição, não captavam os espaços destinados às necessidades fisiológicas dos estudantes. De acordo com a direção, o objetivo era monitorar os acessos e contribuir para a segurança escolar.

          A instituição também informou que, conforme as informações levantadas até o momento, um estudante teria entrado sem autorização na sala dos monitores militares e acessado o computador utilizado pela equipe. A imagem posteriormente compartilhada teria sido registrada nesse contexto. A direção afirmou que as circunstâncias do acesso ao equipamento e da divulgação das imagens serão apuradas, com preservação da identidade dos envolvidos.

          Ainda segundo a equipe diretiva, houve atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras instaladas nos acessos aos banheiros. A escola informou que adotará medidas administrativas e fará os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes. A direção também reforçou o compromisso com a segurança, a dignidade e a privacidade dos estudantes.

          Em nota, o Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina informou que, assim que tomou conhecimento da instalação dos equipamentos, orientou a direção sobre as providências necessárias, com atenção à privacidade e à segurança dos alunos. O órgão confirmou que as câmeras já foram retiradas e que não há imagens armazenadas relacionadas aos equipamentos.

          Uma equipe do NRE realizará uma visita à escola para verificar a situação e orientar os próximos encaminhamentos. A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) acompanha o caso e reforçou que o monitoramento nas unidades escolares deve respeitar integralmente a privacidade, a dignidade e a segurança dos estudantes e de toda a comunidade escolar. As medidas cabíveis serão adotadas após a apuração dos fatos.

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