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Família de Isabelle Caracristi cobra respostas após perícia apontar suicídio: “Indignação”

Em nota, a família afirmou que permanecerá cobrando esclarecimentos enquanto houver questionamentos sobre o caso

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Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis e pode ocasionar gatilhos de crise de ansiedade, depressão e suicídio. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.

A família de Isabelle Caracristi, de 22 anos, afirmou que ainda existem questionamentos a serem esclarecidos sobre a morte da estudante, mesmo após a Polícia Civil do Ceará apresentar, nesta quinta-feira (24/9), resultados de exames periciais e imagens de segurança que, segundo a investigação, indicam uma queda voluntária do prédio onde ela morava com o namorado, a sogra e o cunhado, em Fortaleza. Em nota divulgada nas redes sociais, a família de Isabelle, por meio das advogadas Patrícia de Abreu Viana e Adriana Alves, afirmou que as dúvidas que permanecem no caso vão além de questões burocráticas e continuam causando sofrimento.

Segundo as defensoras, as lacunas existentes “não são meras formalidades, mas feridas abertas que alimentam a dor de quem chora e a indignação de todos nós”.

Veja as fotos

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João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, foi transferido para penitenciária no CearáCrédito: Portal LeoDias
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Isorlanda Caracristi, mãe de IsabelleReprodução: Instagram/@isorlandacaracristi
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Isabelle Caracristi foi encontrada morta em Fortaleza há cerca de uma semana / Foto: Reprodução InstagramCrédito: Reprodução Instagram @diariodonordeste
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Isabelle Caracristi foi encontrada morta em Fortaleza (CE) há cerca de uma semanaReprodução: Instagram/@diariodonordeste
Isabelle Caracristi foi encontrada morta em Fortaleza há cerca de uma semana / Foto: Reprodução Instagram
Isabelle Caracristi foi encontrada morta em Fortaleza há cerca de uma semana / Foto: Reprodução Instagram
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A manifestação não detalha quais pontos, especificamente, ainda precisam ser esclarecidos. As advogadas, porém, ressaltaram que a família continuará acompanhando a investigação e cobrando respostas das autoridades.

Para a defesa, a apuração completa das circunstâncias da morte representa uma obrigação do poder público e um direito da família. “Cada dia sem respostas claras é uma violência continuada. É uma afronta à memória da vítima e um desrespeito ao direito fundamental à elucidação cabal dos fatos”, acrescentaram.

As defensoras também afirmaram que permanecerão cobrando esclarecimentos enquanto houver questionamentos sobre o caso.

“A memória de Isabelle Caracristi exige respeito. O combate a todas as formas de violência é urgente. E a sociedade exige JUSTIÇA”, diz Nota da família da jovem.

Perícia aponta suicídio

Durante uma coletiva realizada nesta quinta-feira, a Polícia Civil informou que os exames técnicos realizados até o momento são compatíveis com a hipótese de suicídio.

O laudo pericial classificou a queda como uma “precipitação voluntária”. A análise apontou ainda que Isabelle caiu em posição vertical e permaneceu em queda por aproximadamente três segundos.

Além dos exames, investigadores analisaram imagens de câmeras de segurança que, segundo a polícia, são compatíveis com a dinâmica indicada pela perícia.

“Tem uma câmera que corrobora com essa dinâmica fornecida pela perícia”, disse o perito-geral, Júlio Torres, em coletiva de imprensa nesta manhã.

Apesar dos resultados iniciais, a investigação não foi encerrada. A Polícia Civil afirma que outras possibilidades continuam sendo verificadas, incluindo a eventual presença de terceiros no rooftop, a movimentação de pessoas no edifício e os acontecimentos que antecederam a queda.

“Nós temos a informação técnica do nosso órgão de perícia que aponta para realmente o suicídio, para a precipitação voluntária. Mas nada é descartado, se teve algum auxílio, o que levou até aquele momento, se mais alguém estava naquele ambiente, o horário em que o namorado esteve no apartamento, que horas saiu e retornou, quando ele esteve fora, onde ele estava”, diz Delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez.

As imagens analisadas pela investigação mostram que Isabelle permaneceu por aproximadamente uma hora e meia no 23º andar antes da queda. Nesse período, ela teria utilizado o celular.

“O que nós podemos falar é que ela passou um bom tempo se comunicando com algumas pessoas ao telefone, mandando mensagens e interagindo com pessoas, mas nós não podemos divulgar isso para não atrapalhar as investigações”, explicou Gutiérrez.

Celular de Isabelle teve parte dos dados recuperada

Outro ponto investigado pela Polícia Civil é o que ocorreu com o celular de Isabelle após a morte.

O aparelho estava no bolso da estudante quando ela caiu e sofreu danos significativos com o impacto. Posteriormente, o telefone foi entregue à família e encaminhado para análise pericial.

Como parte dos dados não pôde ser recuperada diretamente do aparelho, os investigadores recorreram a um backup armazenado na nuvem. Com isso, foi possível obter mensagens enviadas e recebidas até aproximadamente 2h da madrugada do dia 13.

O conteúdo referente ao período entre 2h e 20h40, horário estimado da morte, não foi recuperado até o momento.

Polícia apura possível destruição de provas

A conduta de João Munhoz Neto, namorado de Isabelle, também integra a investigação. O bacharel em direito está preso e é investigado por induzimento, instigação ou auxílio a suicídio e violência psicológica.

Segundo a Polícia Civil, João teria retornado ao condomínio na manhã seguinte à morte para procurar o celular da namorada. O aparelho, no entanto, estava com o corpo da estudante.

A investigação também apura relatos de que o apartamento teria sido limpo depois da morte e colocado à venda. Conforme informações apresentadas pela polícia, João teria ido ao imóvel para retirar pertences pessoais e deixado o condomínio carregando malas.

Os investigadores ainda verificam informações segundo as quais ele teria apagado perfis em redes sociais e não informado às autoridades ou aos familiares onde poderia ser localizado. Há também o relato de que teria solicitado ao administrador do condomínio que impedisse a entrada de parentes de Isabelle no apartamento.

“O fato de ele não se apresentar e não constituir advogados para esclarecer os fatos, em nenhum momento se colocar à disposição para esclarecimentos dos fatos, foi levado em conta pelas autoridades. Isso culminou na medida de prisão”, disse Delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez.

A defesa de João sustenta que ele não estava no prédio no momento em que Isabelle caiu. A advogada também afirmou que o desaparecimento do cliente ocorreu em razão do impacto emocional provocado pela morte.

Relembre a morte de Isabelle

Isabelle morreu na noite de 13 de setembro, depois de cair do 23º andar do condomínio onde vivia com João Munhoz Neto, no bairro Aldeota, em Fortaleza.

Antes da queda, imagens de segurança registraram a estudante no hall do edifício e, posteriormente, dentro do elevador, seguindo para o apartamento. Mais tarde, ela aparece novamente nas imagens, desta vez subindo para o rooftop.

De acordo com a investigação, Isabelle permaneceu no local por aproximadamente uma hora e meia antes da queda.

O exame cadavérico concluiu que a causa da morte foi politraumatismo. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que as lesões encontradas eram “compatíveis com o impacto contra o solo”.

Também foi realizado exame toxicológico, cujo resultado não identificou drogas ou medicamentos no organismo da estudante.

A prisão cautelar de João foi mantida. Ele continua sendo investigado por violência psicológica e pelos crimes de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.

Último contato com a mãe

A última conversa conhecida entre Isabelle e a mãe, Isorlanda Caracristi, aconteceu na noite de 13 de setembro, horas antes da morte.

Segundo Isorlanda, a filha enviou uma mensagem por volta das 19h dizendo: “Mãe, eu te amo”.

Na manhã seguinte, a mãe tentou falar novamente com Isabelle, mas não recebeu resposta. Ao procurar João, percebeu que havia sido bloqueada nas redes sociais.

Isorlanda então foi até o condomínio. Segundo seu relato, foi somente no local que descobriu, por meio da síndica, que a filha havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido levado ao Instituto Médico-Legal (IML).

Investigação aponta relatos de relacionamento abusivo

Paralelamente à análise da dinâmica da queda, a Polícia Civil investiga o relacionamento entre Isabelle e João.

Segundo informações obtidas pelo colunista do UOL Carlos Madeiro, trechos de uma análise preliminar feita no celular da estudante indicariam uma “sequência progressiva de vigilância”. As mensagens recuperadas do WhatsApp foram consideradas pela polícia durante a elaboração do pedido de prisão do investigado.

De acordo com os investigadores, Isabelle teria relatado situações nas quais se sentia “ameaçada, manipulada, pressionada, sobrecarregada e presa”. Ainda conforme o material analisado pela polícia, a jovem dizia que determinadas atitudes do namorado “lhe faziam mal e a adoeciam”.

O pedido de prisão apresentado à Justiça também cita o conteúdo das mensagens recuperadas do aparelho.

“O conteúdo recuperado permite inferir, desde já, a existência de violência psicológica, ao mesmo tempo em que sustenta a continuidade da linha investigativa destinada a verificar eventual induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, especialmente diante da proximidade temporal entre o agravamento do sofrimento emocional da vítima, a afirmação de que desejava ‘sumir’, a elaboração da mensagem de despedida e o resultado morte”, Trecho do pedido de prisão expedido contra o bacharel.

Um primo da estudante também prestou depoimento e contou ter conversado com Isabelle cerca de uma semana antes da morte. Segundo ele, durante a ligação, a jovem afirmou “não suportar mais João”.

O familiar relatou à polícia que Isabelle estaria cansada do comportamento ciumento do namorado e das supostas restrições impostas por ele ao contato com familiares e colegas de trabalho.

Ainda de acordo com o depoimento, João teria aparecido durante a conversa e ordenado que ela encerrasse a ligação: “desliga esse telefone, estou mandando.”

A investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se houve participação de terceiros ou eventual prática dos crimes atribuídos ao namorado.

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