Pai de criança morta após sofrer violência sexual é preso em Palmas
Imagens registradas mostram o investigado entrando na viatura após deixar a delegacia
Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180.
Igor Gustavo Veloso de Sousa, pai de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, foi preso na madrugada desta quinta-feira (6/8), em Palmas, após a Justiça decretar sua prisão preventiva. A madrasta do menino, Kathellen Moreira, também foi detida. Os dois são investigados pela Polícia Civil no caso da morte da criança, encontrada sem vida na residência do casal na última segunda-feira (3/8).
Imagens obtidas pelo portal LeoDias junto a Landri Neto, assessor da advogada da família, Stella Bueno, mostram o momento em que Igor deixa a unidade policial e entra em uma viatura para ser conduzido inicialmente ao Instituto Médico Legal (IML). Depois dos procedimentos, ele foi encaminhado ao sistema prisional. Kathellen seguiu para uma unidade prisional feminina.
Veja as fotos
Após a saída do investigado, Stella Bueno, que representa os interesses da mãe de Gustavo, Sabrina da Silva Feitosa, afirmou que a prisão representa uma nova etapa na busca por responsabilização. “É o início da justiça que o Gustavo merece. Toda a movimentação, todo o trabalho que foi desenvolvido até agora garantiu que ele estivesse vivo para que a justiça seja feita da melhor maneira possível”, declarou a advogada.
Stella também informou que deverá atuar como assistente da acusação, ao lado do Ministério Público, representando a família da mãe da criança. Questionada sobre a estratégia que será adotada no processo, ela disse que o trabalho buscará estabelecer “o melhor caminho” para o caso.
Segundo informações divulgadas pela TV Anhanguera, policiais monitoravam o endereço onde Igor e Kathellen estavam, na quadra 407 Norte, em uma residência pertencente a um amigo do investigado. Ao perceberem a aproximação da equipe, os dois acionaram um advogado e informaram que cumpririam a ordem judicial.
A defesa de Igor contesta a versão de que ele tenha sido localizado após buscas. Em nota, os advogados afirmaram que a entrega foi previamente acertada com a autoridade policial e que o investigado permaneceu no imóvel aguardando o cumprimento do mandado, sem resistência ou tentativa de fuga. A defesa também informou que não comentará detalhes da investigação por causa do sigilo do caso.
O caso começou a ser apurado depois que Igor procurou a polícia e comunicou a morte do filho. A versão inicialmente apresentada pela defesa era de que Gustavo teria começado a se afogar na piscina da residência no domingo (2/8), teria sido socorrido e, na manhã seguinte, encontrado sem sinais vitais.
O laudo do IML, porém, não identificou sinais compatíveis com afogamento. A perícia apontou que a criança morreu após sofrer múltiplas agressões e também indicou a ocorrência de violência sexual. Exames complementares ainda devem ser incorporados ao inquérito conduzido pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Palmas.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte e a eventual participação de cada suspeito. Até a conclusão das investigações e de um possível processo judicial, Igor e Kathellen devem ser tratados como investigados, sem condenação definitiva.
Manifestação pede Justiça por Gustavo
Uma manifestação batizada de “Justiça por Gustavo” está prevista para esta quinta-feira (6/8), em Palmas. O ato pede responsabilização pela morte da criança, maior proteção aos direitos de crianças e adolescentes e mudanças na forma como denúncias relacionadas à violência familiar e à alienação parental são analisadas.
A concentração de moradores da região de Taquaralto está marcada para às 16h30, no Ginásio Ayrton Senna. Às 17h, os participantes devem se reunir em frente à unidade da MedPrev, na Avenida Siqueira Campos, de onde seguirão em caminhada até o Fórum de Palmas. Os organizadores orientaram o público a comparecer usando camisetas brancas, como símbolo de paz e união.
A reportagem tentou contato com Sabrina, mãe da criança, mas não recebeu retorno até a publicação desta matéria. A mulher está profundamente abalada com a morte do filho e, por esse motivo, não teve condições de conceder entrevista.
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