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Quadro de Tarsila avaliado em R$ 250 milhões surge no chão da casa de herdeiro do Itaú

Avaliada em R$ 250 milhões, obra “Sol Poente” reaparece em meio a disputa judicial

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Um dos quadros mais valiosos de Tarsila do Amaral se tornou centro de um escândalo no mundo das artes após aparecer no chão da casa de um herdeiro do Itaú, Roberto Setúbal. A informação foi revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, publicada nesta quarta-feira (17/12), e envolve a pintura “Sol Poente”, de 1929, obra da fase mais valorizada da artista modernista.

A tela passou a ser alvo de rumores depois de surgir, escorada numa parede, ao fundo de uma publicação no Instagram de Daniela Fagundes, ex-mulher do banqueiro Setubal, ex-presidente do Itaú. O post, feito no ano passado, permaneceu poucos minutos no ar, mas foi tempo suficiente para que a imagem fosse registrada e desse início a especulações sobre o destino da obra.

Veja as fotos

Reprodução / .researchgate.net
A obra Sol Poente, de Tarsila do AmaralReprodução / .researchgate.net
Reprodução
A pintura "Sol Poente", de Tarsila do Amaral, foi vista na casa de Roberto SetubalReprodução
Roberto Setúbal, ex-CEO do Itaú / Reprodução
Roberto Setúbal, ex-CEO do Itaú / Reprodução
Roberto Setúbal e Daniela Setúbal - Foto: Reprodução/Instagram
Roberto Setúbal e Daniela Setúbal - Foto: Reprodução/Instagram
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Avaliada pela Justiça em R$ 250 milhões, “Sol Poente” é uma pintura a óleo de 54 por 65 centímetros, marcada por um sol em tons vibrantes de laranja e amarelo sobre uma paisagem com formas que remetem a cactos e capivaras. Da mesma época de “Abaporu”, a obra é considerada uma das mais caras de Tarsila e costuma ser disputada por museus no Brasil e no exterior para exposições.

Segundo a Folha, a pintura é objeto de uma disputa judicial e, atualmente, também é procurada pela Justiça, que determinou que Geneviève Boghici informe o paradeiro da obra. Em entrevista ao jornal, a viúva afirmou: “Está comigo, num lugar seguro”. Questionada se o quadro estaria em sua casa, respondeu: “Não vou dizer nem se está no norte nem no sul. Está bem cuidado”.

Geneviève, de 86 anos, declarou que “Sol Poente” está com sua família há cerca de 50 anos e que ela e o marido mantiveram a obra pendurada na parede do quarto, “o melhor lugar da casa”. Ela herdou mais de 200 obras de arte, incluindo outras duas telas de Tarsila, “O Sono”, avaliada em R$ 300 milhões, e “Pont Neuf”, estimada em R$ 150 milhões, que também são alvos do mesmo processo judicial.

O caso tramita em segredo de Justiça e envolve o inventário do marido de Geneviève. Além dela, que tem direito à metade dos bens, figuram como herdeiros a filha Muriel e o espólio da outra filha, Sabine, representado por um inventariante. Sabine morreu há pouco mais de dois anos, após ter sido presa sob acusação de envolvimento em um golpe relacionado às obras.

Ainda de acordo com o processo, Geneviève teria deixado de declarar ao espólio outras 18 obras de artistas como Rubens Gerchman, Antonio Bandeira, Cícero Dias, Maria Martins, Almir Mavignier e Rubem Valentim, avaliadas em cerca de R$ 48 milhões. Essas obras teriam sido vendidas anos após a morte do marido, e os compradores apresentaram à Justiça recibos e comprovantes de pagamento.

Questionada pela Folha se vendeu obras que deveriam constar no inventário, Geneviève afirmou que “não vai comentar nada”, que “o juiz pode saber” e que “processo judicial é processo judicial”. Ela acrescentou: “É tanta mentira, tanta calúnia, que eu prefiro não responder”.

Uma fonte ouvida pela reportagem explicou que bens do inventário são indivisíveis até a partilha e que qualquer venda dependeria de autorização judicial. Nesse contexto, a presença de “Sol Poente” na casa de Roberto Setubal levantou ainda mais questionamentos.

Segundo Daniela Fagundes, a obra teria chegado à residência por meio da galeria Almeida & Dale. Ela afirmou ainda que a galeria teria enviado um email solicitando a retirada da imagem do Instagram, alegando que o quadro enfrentava problemas judiciais. Procurada pela Folha, a Almeida & Dale informou que “não possui qualquer registro, documento, consignação ou operação envolvendo a obra ‘Sol Poente’” e não comentou o suposto pedido.

Setubal não se manifestou. Uma pessoa próxima ao banqueiro disse ao jornal que a obra foi oferecida e esteve em sua casa, prática comum no mercado de arte, mas que ele desistiu do negócio ao perceber a situação jurídica da pintura.

Geneviève, por sua vez, negou qualquer negociação envolvendo a obra e atribuiu a imagem à inteligência artificial. “É tudo mentira. O quadro nunca saiu de perto de mim, então como? É uma fotografia. Pode ser uma cópia do quadro”, disse.

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