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Ratinho critica escolha de Erika Hilton para Comissão da Mulher: “Ela não é mulher”

Após a repercussão das declarações, Erika Hilton se manifestou por meio de suas redes sociais, rebatendo as declarações do apresentador

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          O apresentador Ratinho foi alvo de críticas nas redes sociais após declarações feitas ao vivo durante seu programa, no SBT, sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), na quarta-feira (11/3). Na ocasião, ele reprovou a escolha da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, afirmando: “Ela não é mulher, ela é trans”. Após a repercussão, Erika também se manifestou rebatendo a fala do apresentador.

          Ao abordar o assunto, Ratinho questionou a decisão tomada pelos parlamentares. “Teve uma votação hoje, e deram a Comissão da Mulher para uma mulher trans. Eu não achei muito justo, não. Tem tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans?”, disse.

          Veja as fotos

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          Erika HiltonCrédito: Reprodução
          Crédito: Divulgação Câmara dos Deputados
          Erika HiltonCrédito: Divulgação Câmara dos Deputados
          Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
          Erika HiltonFoto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
          Portal LeoDias
          No SBT, Ratinho disse que Erika Hilton não é mulherPortal LeoDias
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          Ratinho no SBTReprodução / SBT
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          No SBT, Ratinho disse que Erika Hilton não é mulherReprodução/SBT
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          “Programa do Ratinho”Foto: Rogério Pallata/@sbt
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          Apresentador RatinhoReprodução Instagram @oratinho
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          A deputada foi uma das convidadas para o evento de uma marca de joias em São Paulo.Portal LeoDias
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          Ratinho e Erika HiltonCrédito: Reprodução

          Na sequência, ele continuou o comentário com outras declarações. “Ela não é mulher, ela é trans. Eu não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres, mulher mesmo… Mulher para ser mulher tem que ser mulher, gente. Eu até respeito, respeito todo mundo que tem comportamento diferente, está tudo certo. Agora, para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias.”

          O apresentador também afirmou: “Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher. Mas quero dizer que não tenho nada contra a deputada, o deputado… A deputada Erika Hilton. Elas não me fez nada, ela só fala bem, mas não tenho nada contra ela. Acho que deveria ser uma mulher”.

          Em outro momento, acrescentou: “Para quem não sabe, a deputada Erika Hilton é trans, mas será que ela entende dos problemas e desafios de uma pessoa que nasceu mulher? Não é fácil ser mulher. Imagine se uma mulher trans fosse defender as pautas relacionadas ao público masculino? Estaria certo? Também não. Está certo, vamos nos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”.

          Deputada se manifesta

          Após a repercussão das declarações, Erika Hilton se manifestou por meio de suas redes sociais. No posicionamento, a parlamentar comentou a eleição para a presidência da Comissão da Mulher e mencionou o significado do momento em sua trajetória política.

          “Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas”, afirmou.

          Na sequência, acrescentou: “Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada. A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem, quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade”.

          A deputada também destacou o resultado da votação que a colocou na presidência do colegiado. “Por isso, hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher (uma vitória construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita)”.

          Em outro trecho da publicação, declarou: “E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou. A opinião de transfóbicos e imbecis é a última coisa que me importa. Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação”.

          Ela também acrescentou: “Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social. E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar. Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher”.

          Ao concluir, afirmou: “E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui. E agora faremos um debate sobre todas as mulheres porque somente unidas podemos frear a violência que nos assola”.

          Erika pede a prisão de Ratinho

          Erika Hilton (PSol-SP) protocolou, nesta quinta-feira (12/3), no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), um pedido de investigação contra o apresentador Ratinho por uma fala considerada transfóbica durante seu programa no SBT.

          Segundo o colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, o documento foi registrado no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP. Ela solicita a abertura de inquérito policial e a prisão de Ratinho, o qual, se condenado, pode pegar até 6 anos de prisão.

          Ao MP-SP, Erika Hilton argumentou que as declarações de Ratinho se baseiam na “repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres” para participar de espaços institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres.

          A deputada também ressalta que as falas do apresentador foram transmitidas em rede nacional, o que “contribuiu para amplificar o alcance das declarações e potencializar seus efeitos discriminatórios”, incluindo a disseminação nas redes sociais.

          “As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz um trecho da representação de Erika Hilton.

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