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Afago de Trump a Lula é tratado como estratégia por bolsonaristas

Republicano exaltou “boa química” com o petista na ONU; veja o que entenderam políticos da direita, entre eles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL/SP)

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          O breve encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU, nesta terça-feira (23/9), abriu espaço para leituras opostas no Brasil. Enquanto parlamentares governistas enxergaram o gesto como sinal de respeito internacional ao presidente brasileiro, aliados de Jair Bolsonaro (PL) afirmaram que se trata de uma jogada do republicano para aumentar a pressão nas negociações bilaterais.

          Logo após Lula inaugurar a rodada de discursos da ONU, criticando ataques ao Judiciário e condenando a extrema-direita, Trump subiu ao púlpito e mencionou a breve conversa que teve com o petista. Segundo ele, em cerca de 20 segundos foi possível perceber uma “química excelente” entre os dois. O americano relatou ter achado Lula “um homem muito legal” e disse só negociar com pessoas de quem gosta.

          Veja as fotos

          Reprodução: X/@BolsonaroSP
          Eduardo Bolsonaro (PL/SP) entende discurso de Trump como estratégico na Assembleia-Geral da ONUReprodução: X/@BolsonaroSP
          Reprodução: YouTube/@ONU
          Trump fala de Lula na ONUReprodução: YouTube/@ONU
          Foto: Tomzé Fonseca/Futura Press/Estadão
          Pai e filho, Jair e Eduardo BolsonaroFoto: Tomzé Fonseca/Futura Press/Estadão
          Foto: Alan Santos/PR
          Donald Trump e Jair BolsonaroFoto: Alan Santos/PR
          Reprodução: Youube/Canal Gov
          "Não vamos chorar se EUA não quiser comprar", diz Lula sobre exportaçõesReprodução: Youube/Canal Gov

          A reação foi imediata. Do lado bolsonarista, a interpretação predominante foi de que Trump estaria apenas construindo terreno para cobrar mais adiante. O entorno de Bolsonaro avaliou que a omissão do nome do ex-presidente no discurso é parte de uma estratégia para abrir diálogo com Lula e depois exigir concessões, inclusive em relação à anistia.

          Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro (PL/SP) elogiou a postura do republicano e lembrou das sanções aplicadas recentemente aos EUA contra autoridades brasileiras, como a inclusão da esposa do ministro Alexandre de Moraes na lista da Lei Magnitsky. Para o deputado, Trump repetiu seu método de elevar a tensão para, em seguida, impor condições na mesa de negociação. “Ele fez exatamente o que sempre praticou: elevou a tensão, aplicou pressão e, em seguida, reposicionou-se com ainda mais força à mesa de negociações”, escreveu. O influenciador Paulo Figueiredo, próximo da família Bolsonaro, reforçou o mesmo argumento e disse que Lula foi colocado numa “situação impossível”.

          Por outro lado, parlamentares progressistas celebraram o gesto. Lindbergh Farias (PT/RJ) afirmou que Lula é “genial” e comparou a relação com Trump à que o petista teve no passado com George W. Bush. Erika Hilton (PSOL/SP) declarou que o americano “recalculou a rota” após fracassos em iniciativas anteriores contra o governo brasileiro.

          Trump, por sua vez, não poupou críticas ao Brasil ao dizer que o país “continuará indo mal” caso não se alinhe a Washington. Para integrantes do Centrão e até ministros da base, o episódio abalou o discurso de que apenas Eduardo Bolsonaro e seus aliados teriam canais de diálogo com a Casa Branca.

          Na imprensa estrangeira, o gesto também ganhou espaço. O New York Times destacou que foi a primeira sinalização positiva de Trump ao Brasil desde a escalada da crise diplomática. Já o The Guardian avaliou que o republicano “deixou a porta aberta para uma reaproximação” com Lula. Porém, a diplomacia brasileira afirmou que ainda não há acerto formal para o encontro previsto para a próxima semana.

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