Ciro Gomes volta ao PSDB com críticas ao PT e mira governo do Ceará
Em evento cercado por aliados da direita, ex-ministro anunciou retorno ao partido
Aos 67 anos e com um discurso inflamado, Ciro Gomes oficializou nesta quarta-feira (22/10) sua filiação ao PSDB, partido que integrou nos anos 1990. O ato, realizado em um hotel de frente para o mar em Fortaleza, reuniu lideranças tucanas e aliados bolsonaristas, como o deputado federal André Fernandes (PL) e o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil). A movimentação reforça a estratégia de Ciro para unir diferentes forças políticas da oposição contra o governador Elmano de Freitas (PT) nas eleições de 2026.
Durante o evento, o ex-governador foi recebido sob aplausos e reafirmou o bordão que marcou seu discurso: “Pelo Brasil eu morro, mas pelo Ceará eu mato”. Ciro criticou o governo Lula, acusando o presidente de comandar “o período mais corrupto da história” e atacou diretamente o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), seu ex-aliado e atual adversário político. “Vou tirar sua máscara, Camilo Santana”, provocou.
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Ciro deixou o PDT dias antes da filiação e agora assume a presidência do diretório estadual do PSDB, numa articulação costurada por Tasso Jereissati, seu antigo padrinho político. O ex-senador destacou que o retorno de Ciro tem duas metas principais: reconstruir o partido nacionalmente e liderar a oposição no Ceará. “Ciro vai ajudar a reconstruir um partido que mais do que nunca é necessário ao Brasil, um partido de centro que dialogue com todos”, afirmou.
Em sua fala, o ex-ministro fez duras críticas à aliança entre o PDT e o PT e lamentou o “abandono” do estado. Também disse que não se manterá neutro diante do que chama de “perversão política”. “Muito obrigada por restaurar em mim a vontade de querer superar essa tragédia. Minha vida não tem sido fácil. É claro que eu sou um privilegiado, mas, para me permanecer linheiro e coerente com aquilo que penso, eu não me permito ser omisso, conciliar ou ceder a essa perversão”, afirmou, em referência a decepções recentes.
A nova configuração política de Ciro inclui um arco de alianças que vai do centro à extrema-direita. No evento, ele elogiou André Fernandes, a quem chamou de “jovem talento”, e defendeu a candidatura ao Senado do pai do parlamentar, Alcides Fernandes (PL). A aproximação entre os dois vem desde a eleição municipal de 2024, quando Ciro apoiou o deputado bolsonarista no segundo turno em Fortaleza.
Durante o ato, Ciro acusou o governo Lula de liberar “bilhões para roubalheira generalizada” e ironizou as alianças do presidente com figuras de partidos rivais. “Quando o Lula se elege, ele chama o José Alencar, do PL. Quando ele resolveu lançar a Dilma, já avisado de que as coisas poderiam ser gravemente traumatizadas, ele chamou a polêmica figura do Michel Temer. Quando mais recentemente ele quis se eleger, por quase 1% de diferença do Bolsonaro, quem ele chamou? Geraldo Alckmin, fundador do PSDB e agora socialista, para eles. […] Aqui não tem ladrão, e lá?”, provocou o político.
Apesar de não confirmar oficialmente sua candidatura, aliados consideram certo que Ciro disputará novamente o governo estadual, cargo que já ocupou entre 1991 e 1994. Ele busca interromper o ciclo petista que domina o Ceará desde 2015.
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