Em carta, Flávio Bolsonaro se declara “presidente eleito”, agradece Milei e Trump e critica Lula
Derrotado nas eleições presidenciais, o senador afirmou que houve fraude na disputa e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de persegui-lo
O senador Flávio Bolsonaro (PL) se pronunciou, nesta quarta-feira (28/10), pela primeira vez desde a fuga para os Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais. O candidato derrotado no pleito se declarou “presidente eleito”, pediu a cassação da chapa de Luiz Inácio Lula da Silva e agradeceu a Javier Milei e Donald Trump, presidentes de Argentina e EUA, respectivamente, por ajudá-lo a deixar o Brasil.
Em uma nota compartilhada por aliados, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que as votações foram fraudadas e criticou a atuação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF): “A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”.
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De acordo com Flávio, a decisão passou por cima da competência do TSE: “Estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”. O senador também criticou o “abuso de poder político, econômico e uso da máquina”: “Fatos graves que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin”.
Entrega dos passaportes e fuga do Brasil
Flávio Bolsonaro também criticou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, STF, para que o candidato derrotado entregasse seus passaportes às autoridades. Ele afirmou que o magistrado está “em um imenso escândalo de corrupção” e classificou a retenção da documentação como uma “tentativa de sequestro dos passaportes”.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar”, garantiu Flávio, que chamou a atuação das autoridades como “perseguição política”: “Começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista”.
Flávio afirmou ainda que não cometeu nenhum crime e que “não fugiu do Brasil”: “É uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política”.
Segundo o senador, aquilo que ele classifica como “perseguição” foi o que motivou a ida de sua família para os EUA: “Estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil”.
Oposição ao governo
Bolsonaro citou líderes mundiais históricos que deixaram suas nações e prometeu retornar. Ele se reafirmou o “presidente eleito” e convocou os quase 60 milhões de votantes no último pleito: “O criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma
organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”.
“Liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, completou, citando aliados que conquistaram vagas na Câmara e no Senado, além de Rogério Marinho, candidato à presidência da última casa: “À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal”.
“Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar”, finalizou Flávio.
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