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Fala de Lula sobre devolução de celulares roubados gera reação de entidades policiais

Associações e representantes da segurança pública criticaram falas do presidente durante o anúncio de medidas voltadas ao combate do mercado ilegal de celulares

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          Declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, realizada na última semana, provocaram reações de entidades ligadas às Polícias Civis e de parlamentares da área da segurança pública. O motivo foi um comentário feito pelo petista ao apresentar uma proposta do governo para incentivar a devolução de celulares roubados.

          Durante o discurso, Lula afirmou que muitas pessoas poderiam se sentir mais à vontade para entregar aparelhos de origem ilícita em agências dos Correios do que em delegacias, alegando que existe receio em relação ao atendimento encontrado nas unidades policiais.

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          Reprodução: Instagram/@adepol_br
          Adepol emite nota de repúdio contra fala de LulaReprodução: Instagram/@adepol_br
          Reprodução: Instagram/@cobrapolbr
          Cobrapol emite nota de repúdio contra fala de LulaReprodução: Instagram/@cobrapolbr
          Divulgação: Ricardo Stuckert/Presidência da República
          Lula em encontro com evangélicos no Palácio do PlanaltoDivulgação: Ricardo Stuckert/Presidência da República
          Crédito: Ricardo Stuckert
          Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do BrasilCrédito: Ricardo Stuckert
          Reprodução: YouTube/CanalGov
          Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do BrasilReprodução: YouTube/CanalGov

          “Eu sei que rico não compra telefone roubado. Mas eu sei que os pobres compram. Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata ou mais barata? Todo mundo gosta! Entretanto, essa inquietação econômica de quem tá com telefone roubado mexeu com a minha cabeça. Mas não posso ficar com essa dúvida porque o Telefone Seguro vai deixar 200 milhões de brasileiros tranquilos de que não terá seu celular roubado. Eu vou efetivamente despachar o sinalzinho pra quem tiver com telefone roubado devolver, porque se não poderá ter consequências. A dúvida é que não quero devolver na delegacia, quero devolver nos Correios. Porque na delegacia as pessoas têm até medo, porque não sabem o tipo de delegado que vão encontrar ou o tipo de policial”, disse Lula durante a reunião.

          A fala gerou reações de entidades representativas da categoria. A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL) classificou a declaração como inadequada e afirmou que o comentário transmite uma imagem equivocada das delegacias e dos profissionais que atuam nelas. Em nota, a entidade destacou que a apreensão, a guarda e a análise de celulares seguem protocolos legais rigorosos, fiscalizados por órgãos de controle e pelo Poder Judiciário.

          O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDESP) também se manifestou. A entidade ressaltou que delegados e policiais civis desempenham papel fundamental na investigação de crimes, na recuperação de bens e na proteção da população, defendendo o respeito às instituições responsáveis pela segurança pública. Outra manifestação partiu da Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (COBRAPOL). Embora tenha demonstrado apoio a iniciativas voltadas ao combate do comércio ilegal de celulares, a confederação avaliou que generalizações sobre a atuação policial podem comprometer a confiança da sociedade nos profissionais da área.

          No Congresso Nacional, o assunto também repercutiu. O deputado federal Coronel Alberto Fraga (PL-DF), presidente da Frente Parlamentar da Segurança Pública, divulgou uma nota afirmando que as declarações atingem a imagem e a credibilidade dos agentes responsáveis pela investigação criminal no país. As falas ocorreram durante a apresentação de uma nova estratégia do governo federal para reduzir a circulação de celulares roubados. O plano prevê o envio de notificações para aparelhos com registro de furto ou roubo, alertando quem estiver com o dispositivo sobre a necessidade de devolução.

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