Lula anuncia visita à Terra Yanomami: “Nunca um governante esteve lá”
Viagem do presidente ainda não tem data confirmada e foi anunciada durante evento em Belo Horizonte (MG)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou nesta quinta-feira (4/9) que planeja visitar a Terra Indígena Yanomami, localizada em Roraima. A decisão ocorre após o país ter sido alertado, no início de 2023, sobre uma crise de saúde grave na região, que incluiu casos de desnutrição e malária devido à presença de criminosos, como garimpeiros ilegais.
A declaração de Lula sobre sua viagem ainda sem data definida foi feita durante o lançamento do programa Gás do Povo, que substituirá o Auxílio Gás, em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
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“Fomos eleitos para cuidar das pessoas mais necessitadas deste país. Eu, por exemplo, estou marcando uma viagem agora… Uma viagem para mais de 500 quilômetros dentro da selva, em Roraima, para visitar o povo Yanomami no coração da Amazônia. Porque nunca um governante foi até lá. Não dá para ir de barco, não dá para ir por estrada, porque não tem estrada”, afirmou o presidente.
A Terra Yanomami enfrenta graves desafios, como a presença de garimpeiros e madeireiros ilegais, que têm causado sérios impactos à saúde e ao meio ambiente. Em 2023, o governo Lula decretou estado de emergência sanitária e adotou medidas para retirar os invasores da região, além de garantir o acesso da população local aos serviços de saúde.
“Falando que é perigoso ir até lá, dizem que é perigoso. Eu vou, porque os indígenas estavam aqui no Brasil muito antes dos portugueses chegarem. Temos uma obrigação moral de tratá-los com respeito. Eles são brasileiros, e o presidente tem que estar com eles”, acrescentou Lula.
Em 2024, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou que nove aldeias do território Yanomami estavam contaminadas por mercúrio. As pesquisas indicaram a presença do metal pesado em amostras de cabelo de cerca de 300 pessoas, incluindo crianças e idosos.
Dos cabelos analisados, 84% apresentaram níveis de contaminação por mercúrio acima de 2,0 µg/g. Em 10,8% das amostras, os níveis chegaram a superar 6,0 µg/g, o que é considerado altamente perigoso.
Segundo a Fiocruz, os indígenas com os níveis mais elevados de mercúrio apresentaram problemas cognitivos e danos nos nervos das mãos, braços, pés e pernas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que níveis acima de 6 microgramas de mercúrio por grama de cabelo podem causar sérias complicações à saúde.
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