Lula diz que vai telefonar para Trump se impasse comercial persistir
Presidente brasileiro cobra avanços nas negociações antes do fim da COP30
Durante visita neste último fim de semana à Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que voltará a contatar o presidente norte-americano, Donald Trump, caso as conversas bilaterais sobre comércio não avancem até o encerramento da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém.
“Eu saí da reunião com o presidente Trump certo de que a gente vai estabelecer um acordo. Disse a ele que era muito importante que nossos negociadores começassem a negociar logo”, afirmou Lula a jornalistas internacionais, lembrando que os dois haviam conversado recentemente na Ásia.
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O encontro anterior entre Lula e Trump ocorreu em 26 de outubro, em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). A reunião, de cerca de 50 minutos, buscou amenizar a tensão após a imposição, por parte do governo americano, de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e outras sanções políticas.
Na ocasião, Lula afirmou ter saído “convicto” de um possível acordo e defendeu que as equipes técnicas dos dois países iniciem logo as tratativas. “O Brasil tem interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos, porque nós temos certeza que, na hora em que dois presidentes sentam em uma mesa, cada um coloca seu ponto de vista, cada um coloca seus problemas, a tendência natural é encaminhar para um acordo”, declarou.
Além do próprio Lula e de Trump, participaram do encontro o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O presidente brasileiro também informou que o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão prontos para seguir a Washington e retomar as discussões comerciais.
Enquanto isso, o governo norte-americano confirmou que não enviará delegação oficial à COP30. A Casa Branca argumentou que Trump mantém diálogo direto com líderes globais em temas de energia e comércio, reforçando sua prioridade em acordos bilaterais.
A escalada nas tensões teve início em julho, quando Trump anunciou o chamado “tarifaço” contra o Brasil e, em seguida, revogou vistos de ministros e autoridades brasileiras. Segundo Lula, tais medidas “não ajudam” os dois países e precisam ser superadas “com diálogo e respeito mútuo”.
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