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Venezuela vive transição política um mês após captura de Maduro; saiba como está o país agora

Com Maduro preso nos Estados Unidos, governo interino tenta manter a base chavista e libera detentos enquanto país segue polarizado

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          No dia 3 de janeiro de 2026, em pleno período de encerramento de festas de fim de ano, o mundo parou ao ver Nicolás Maduro sair forçosamente do posto de presidente da Venezuela. Ele foi capturado por uma ação militar dos Estados Unidos, comandada por Donald Trump. Passado pouco mais de um mês desde a fatídica operação norte-americana, a Venezuela entrou em um período de rearranjo político marcado por contradições. Enquanto parte do chavismo e do aparato estatal trata o episódio como “sequestro” e vai às ruas exigir a libertação do líder, o governo interino comandado por Delcy Rodríguez adota medidas de abertura econômica e negocia uma nova dinâmica de cooperação com a superpotência mundial.

          Na prática, a aliada histórica de Maduro e vice-presidente durante anos, Delcy Rodríguez, assumiu a chefia interina por decisão das instituições controladas pelo chavismo. O objetivo é conciliar dois públicos: a base governista que cobra firmeza contra Washington e, ao mesmo tempo, a necessidade de estabilizar economia e relações internacionais para evitar um colapso.

          Veja as fotos

          Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
          Nicolás MaduroFoto: Ricardo Stuckert/Presidência da República
          Foto: Reprodução/CNBC
          Donald TrumpFoto: Reprodução/CNBC
          Reprodução: Globo
          Protestos para libertação de Maduro na quarta-feira (4/2)Reprodução: Globo
          Reprodução: Globo
          Protestos para libertação de Maduro na quarta-feira (4/2)Reprodução: Globo
          Reprodução: Globo
          EUA detalhou operação que levou à captura de Nicolás Maduro na VenezuelaReprodução: Globo

          Na última quarta-feira (4/2), manifestações em Caracas voltaram a reunir milhares de apoiadores do chavismo em atos pedindo que os Estados Unidos libertem Maduro e sua esposa, Cilia Flores, um sinal de que o tema segue vivo internamente.

          Do lado norte-americano, o que se conhece oficialmente é que Maduro foi levado aos Estados Unidos e passou a enfrentar acusações em instâncias federais, com o caso sendo usado por Washington como eixo de pressão política e econômica sobre Caracas.

          Uma das mudanças mais relevantes na Venezuela após a captura foi o anúncio de um projeto amplo de anistia e a libertação de presos, incluindo ativistas e opositores. A medida foi recebida com cautela por organizações de direitos humanos, que cobram critérios transparentes e desmonte de estruturas repressivas.

          A economia, especialmente o petróleo, virou o motor da nova fase. Em meio à transição, o governo interino acelerou reformas no marco petrolífero e busca atrair investimento, enquanto os EUA passaram a flexibilizar sanções e autorizar operações ligadas ao petróleo venezuelano. Uma das aberturas foi a licença para fornecimento de diluentes.

          Indicadores recentes apurados pela agência de notícias Reuters apontam salto nas exportações de petróleo de 498 mil barris por dia em dezembro de 2025 para 800 mil em janeiro de 2026. Diante disso, autoridades venezuelanas têm apresentado a narrativa de “normalização” e retomada de produção como prioridade para reposicionar o país.

          Do outro lado, Washington também deu passos concretos: enviou um alto representante a Caracas e passou a tratar a interlocução com Delcy Rodríguez como um canal de gestão de crise. Mesmo assim, a relação dos dois países continua marcada por disputa narrativa. A transição venezuelana ainda não tem um desenho claro de longo prazo e analistas apontam falta de definição sobre até onde os EUA pretendem ir, além de que tipo de arranjo político será aceito em Caracas.

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