Comissão ligada ao Ministério da Saúde rejeita inclusão de canetas emagrecedoras no SUS
Segundo os conselheiros da Conitec, o preço elevado das chamadas "canetas emagrecedoras" foi o fator central para o veto
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), vinculada ao Ministério da Saúde, rejeitou nesta quarta-feira (20/8) a entrada da semaglutida e da liraglutida na lista de tratamentos oferecidos pela rede pública. As duas substâncias estão presentes em medicamentos de alto custo usados para controle da obesidade: a semaglutida compõe fórmulas como o Ozempic e o Wegovy, enquanto a liraglutida é o princípio ativo da Saxenda.
A proposta em análise previa que a semaglutida fosse disponibilizada a pessoas com obesidade e histórico de doenças cardiovasculares, a partir dos 45 anos, sem diagnóstico de diabetes. Já a liraglutida seria destinada a pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade.
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Segundo os conselheiros da Conitec, o preço elevado das chamadas “canetas emagrecedoras” foi o fator central para o veto. O colegiado calcula que a adoção da semaglutida poderia custar ao SUS entre R$ 3,4 bilhões e R$ 7 bilhões em cinco anos. Além disso, os especialistas reforçam que o tratamento exige acompanhamento multiprofissional, como suporte psicológico, o que dificultaria sua aplicação em larga escala.
Essa não foi a primeira vez que o órgão se posicionou contra a medida. Em maio, a comissão já havia emitido parecer negativo, e abriu em seguida uma consulta pública para ouvir médicos, pacientes e representantes da sociedade civil.
Em meio ao debate, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a admitir a possibilidade de incorporação, desde que houvesse comprovação científica robusta. “Tudo que tiver evidências científicas que vão se consolidando, existe uma Comissão Nacional de Incorporação, que é a Conitec, que analisa essa evidência. Se tiver evidência científica, mostrar que um determinado produto tem benefícios para a população, o SUS pode incorporar”, declarou Padilha durante a cúpula dos Brics, em julho, no Rio de Janeiro.
Paralelamente, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou um acordo com a farmacêutica EMS para desenvolver versões nacionais da semaglutida e da liraglutida. A expectativa é que a produção pública ajude a reduzir os custos e, futuramente, facilite a oferta pelo SUS. No entanto, a incorporação ainda depende de nova avaliação da Conitec.
Hoje, a semaglutida não está disponível em nenhum serviço público de saúde. A liraglutida, por outro lado, já é usada em programas locais no Distrito Federal e em municípios de Goiás e do Espírito Santo. No Rio de Janeiro, a prefeitura anunciou que pretende incluir a semaglutida a partir de 2026, voltada a pacientes com diabetes e obesidade.
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