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Crescimento de casos de meningite no Brasil reacende alerta: Conheça os sintomas e tratamentos

Os últimos dados do Ministério da Saúde apontam que os casos de meningite, especialmente na forma bacteriana, voltaram a subir em diversas regiões do país, impulsionados principalmente pelo sorogrupo B do meningococo, cuja vacina ainda não integra o SUS

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          Em questão de horas, um mal-estar banal pode se transformar em uma corrida contra o tempo. Assim avança a meningite, doença grave e de evolução fulminante que tem colocado profissionais de saúde em estado de alerta devido ao aumento de casos no país. O médico pediatra, alergologista e imunologista Dr. Marcos Gonçalves, presidente da Sociedade Alagoana de Pediatria, que ministrou uma aula sobre o assunto para evento da biofarmacêutica GSK, em São Paulo, alertou que as formas mais frequentes são as infecciosas, desencadeadas por vírus ou bactérias. Confira abaixo os principais sintomas, riscos, prevenção e tratamento.

          Os últimos dados do Ministério da Saúde apontam que os casos de meningite, especialmente na forma bacteriana, voltaram a subir em diversas regiões do país, impulsionados principalmente pelo sorogrupo B do meningococo. Segundo o especialista, a rápida evolução da doença, o diagnóstico difícil nas primeiras horas e a alta letalidade tornam a meningite uma das emergências médicas mais graves da pediatria.

          Veja as fotos

          Foto: Reprodução
          Manchas na pele, um dos sintomas da meningiteFoto: Reprodução
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          Manchas na pele, um dos sintomas da meningiteFoto: Reprodução
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          Manchas na pele, um dos sintomas da meningiteFoto: Reprodução
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          Manchas na pele, um dos sintomas da meningiteFoto: Reprodução
          Foto: Divulgação
          SUS passa a oferecer vacina ACWY contra meningite para crianças de 12 mesesFoto: Divulgação
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          SUS passa a oferecer vacina ACWY contra meningite para crianças de 12 mesesFoto: Divulgação
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          Bebê no hospitalFoto: Divulgação

          O que é meningite e por que ela preocupa tanto?

          A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que protegem o cérebro e a medula espinhal. Embora possa ser viral, bacteriana ou causada por fungos e protozoários, as formas bacterianas são as mais preocupantes devido ao risco elevado de complicações e morte.

          Entre os agentes mais comuns, 80% dos casos são causados por duas bactérias:

          • Neisseria meningitidis (meningococo)
          • Streptococcus pneumoniae (pneumococo)

          A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a meningite bacteriana como uma doença de evolução rápida e imprevisível, que pode levar a óbito em até 24 horas após o surgimento dos primeiros sintomas.

          Sintomas: por que o diagnóstico é tão difícil?

          O primeiro desafio para reduzir mortes é reconhecer precocemente a doença. Segundo o especialista, as manifestações iniciais, nas primeiras 8 horas, são inespecíficas e facilmente confundidas com virose, gripe ou dengue.

          Entre os sinais precoces, estão:

          • febre,
          • irritabilidade,
          • sonolência,
          • náusea e vômito,
          • dores no corpo,
          • perda de apetite,
          • dor em membros inferiores,
          • coriza.

          Entre 9 e 15 horas, surgem sintomas mais característicos:

          • rigidez de nuca,
          • fotofobia,
          • manchas hemorrágicas na pele (petéquias/púrpuras),
          • má perfusão periférica.

          A partir de 16 horas, o quadro pode se tornar crítico com:

          • confusão mental,
          • convulsões,
          • queda da pressão arterial,
          • choque séptico,
          • falência múltipla de órgãos,
          • óbito.

          O Dr. Marcos Gonçalves enfatiza: “Não costumam identificar cedo e, quando identificam, nem sempre tratam corretamente”, um dos fatores que contribuem para o alto índice de mortes.

          Transmissão: não é pelo ar como a gripe

          Um equívoco comum quando se fala em meningite é afirmar que a doença é transmitida pelo ar. A meningite bacteriana não se transmite como gripe. Ela exige contato próximo e ocorre através de:

          • gotículas respiratórias,
          • saliva,
          • beijo,
          • tosse e espirro à curta distância,
          • compartilhamento de objetos pessoais.

          Essa dinâmica explica por que surtos são mais frequentes em: dormitórios universitários, creches, escolas, ambientes de grande circulação e convivência prolongada.

          Panorama atual: por que os casos voltaram a subir?

          Segundo os dados do painel nacional de meningite,do Ministério da Saúde, o Brasil vive o aumento da Doença Meningocócica Invasiva (DMI). Os casos de DMI, a forma mais grave, voltaram a crescer desde 2021.

          Em 2025, o país já registrava:

          • 833 casos de DMI
          • 165 mortes
          • Cerca de 60% dos casos causados pelo sorogrupo B.

          Mudança no perfil epidemiológico

          Por muitos anos, o sorogrupo C era predominante. Após a introdução da vacina MenC no SUS, houve uma redução de 17 vezes na incidência em crianças menores de 1 ano entre 2010 e 2024.Com o controle do sorogrupo C, o meningococo B emergiu como o mais incidente, superando os demais sorogrupos:

          • Desde 2015, é a principal causa de meningococcemia entre bebês,
          • Representa 7 em cada 10 casos em menores de 1 ano,
          • Teve crescimento de 6,6 vezes na taxa de incidência entre 2021 e 2024.

          Por que o sorogrupo B preocupa mais?

          Além de ser o mais prevalente, o MenB apresenta características que aumentam sua gravidade:

          • sua cápsula bacteriana é menos imunogênica, o que dificulta ser reconhecida pelo sistema imunológico
          • a doença costuma evoluir de forma extremamente rápida,
          • acomete principalmente lactentes,
          • possui alta taxa de letalidade,
          • e é responsável por sequelas severas em sobreviventes.

          Em Alagoas, por exemplo, a letalidade da doença meningocócica chegou a 60% em 2024, segundo dados do Instituto Adolfo Lutz, muito acima da média global de 8% a 15%.

          Sequelas: o impacto que permanece para toda a vida

          Entre os sobreviventes, estudos mostram que: 1 em cada 10 tem sequelas graves; 1 em cada 5 apresenta algum grau de incapacidade permanente; Em bebês, esse número pode chegar a 50%.

          As sequelas podem incluir:

          Físicas: amputações, cicatrizes extensas, insuficiência renal;

          Neurológicas: convulsões, perda auditiva, déficit cognitivo e motor;

          Emocionais/comportamentais: ansiedade, dificuldades de aprendizado, alterações de comportamento.

          Diagnóstico: como é confirmada a meningite?

          O diagnóstico depende de:

          • exame clínico,
          • hemograma e exames laboratoriais,
          • exames de imagem,
          • punção lombar.

          O líquido cefalorraquidiano permite:

          • isolar a bactéria,
          • identificar sorogrupo,
          • realizar PCR,
          • definir tratamento adequado.

          O exame precisa ser feito rapidamente, e o início do antibiótico não pode atrasar.

          Tratamento: rapidez é a diferença entre a vida e a morte

          O manejo emergencial inclui:

          • antibióticos,
          • intubação se necessário,
          • controle de convulsões,
          • hidratação venosa,
          • suporte hemodinâmico,
          • isolamento respiratório,
          • avaliação contínua em UTI pediátrica.

          Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores as chances de sobrevivência.

          Prevenção: vacinação é a principal estratégia

          De acordo com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), a vacinação é a melhor forma de prevenir a doença bacteriana. Entretanto, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) brasileiro cobre apenas parte dos agentes:

          Disponíveis no SUS:

          • BCG (protege contra formas graves de meningite por tuberculose)
          • Hib (Haemophilus influenzae b)
          • Pneumocócica (PCV10)
          • Meningocócica C
          • Meningocócica ACWY (para adolescentes e, desde 2025, para bebês aos 12 meses)

          Disponíveis apenas na rede privada:

          Essa lacuna gera preocupação, já que o sorogrupo B é atualmente o mais prevalente entre crianças pequenas.

          Especialistas defendem que a ampliação da vacina MenB para o SUS poderia reduzir significativamente casos graves, hospitalizações e mortes, tendência observada em países que já incorporaram o imunizante em seus programas nacionais.

          OMS tem meta global de eliminar epidemias de meningite até 2030

          A Organização Mundial da Saúde estruturou cinco pilares para reduzir casos e mortes:

          1. Prevenção e controle de epidemias,
          2. Diagnóstico e tratamento rápidos,
          3. Vigilância contínua,
          4. Atenção às sequelas em sobreviventes,
          5. Conscientização pública.

          O Brasil, porém, ainda enfrenta desafios no primeiro pilar: a ampliação do acesso à vacinação completa.

          O que pais e responsáveis devem observar?

          Em bebês, especialmente menores de 2 anos, qualquer sinal de:

          • irritabilidade intensa,
          • dificuldade para mamar,
          • sonolência excessiva,
          • vômitos persistentes,
          • manchas roxas,
          • abaulamento da fontanela,

          A presença de um ou mais desses sintomas exige busca imediata por atendimento médico. O tempo é o fator mais decisivo na meningite.

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