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Hipoglicemia: entenda condição que pode ter causado a morte de Gabriel Ganley

Ao portal LeoDias, a médica endocrinologista e nutróloga Ana Heloísa Bresque explicou que a insulina é um hormônio extremamente potente e perigoso quando utilizado sem necessidade médica, devido o risco de hipoglicemia, condição apontada como possícel causa da morte de Gabriel Ganley

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          A morte do fisiculturista Gabriel Ganley levantou discussões sobre o uso de insulina para fins estéticos por pessoas não diabéticas e os riscos da hipoglicemia, condição que pode ocorrer após o uso inadequado do hormônio e provocar complicações graves, inclusive fatais. Em entrevista ao portal LeoDias, a médica endocrinologista e nutróloga Ana Heloísa Bresque explicou como a queda brusca dos níveis de glicose no sangue afeta o organismo e por que o quadro pode se tornar uma emergência médica.

          Segundo a especialista, a hipoglicemia acontece quando a taxa de açúcar no sangue cai abaixo do considerado seguro.

          “Hipoglicemia é um nível baixo de açúcar no sangue. Em pessoas normais, que não estejam usando medicações que causem hipoglicemia, consideramos hipoglicemia o valor abaixo de 55 mg/dl, mas em pessoas usando insulina ou outras medicações que causem hipoglicemia, consideramos hipoglicemia quando abaixo de 70 mg/dl. Valores de glicose abaixo de 50mg/dl já são considerados hipoglicemia grave e podem causar perda de consciência, precisando de ajuda de outras pessoas para corrigir”, explicou.

          Veja as fotos

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          Fisiculturista Gabriel Ganley morre aos 22 anos após quadro de hipoglicemiaInstagram @ganleygabriel
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          Gabriel Ganley morreu aos 22 anos de idadeReprodução: Instagram/@ganleygabriel
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          Gabriel Ganley relatou ter sofrido confusão mental após uso de insulina semanas antes de morrerFoto: Reprodução
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          Com mais de 2 milhões de seguidores, Gabriel Ganley era um dos nomes mais conhecidos no cenário de fisiculturismo nacional.Reprodução/@ @ganleygabriel
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          Gabriel Ganley morreu neste sábado (23/5).Reprodução/@ganleygabriel
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          A médica destaca que, em casos graves, a condição pode rapidamente se transformar em uma emergência médica.

          Quais são os sintomas?

          De acordo com Dra. Ana Heloísa Bresque, os sinais iniciais costumam incluir alterações importantes no funcionamento do organismo.

          “Sudorese fria, confusão mental, tremores, taquicardia, tontura, visão turva e até perda de consciência. Consideramos que é uma emergência médica os níveis abaixo de 50 mg/dl, quando a pessoa vai precisar da ajuda de terceiros para resolver a hipoglicemia”, afirmou.

          A endocrinologista também alertou que algumas pessoas podem não perceber os sintomas antes de perder a consciência.

          “Sim. Quando a pessoa tem hipoglicemias com frequência, o corpo se acostuma e pára de dar alertas em momentos precoces, fazendo com que a pessoa só manifeste sintomas quando já muito grave, com perda de consciência”, disse.

          Hipoglicemia pode matar durante o sono?

          Segundo a especialista, esse é um dos cenários mais perigosos relacionados à queda severa da glicose.

          “Pode sim e esse é um dos maiores riscos da hipoglicemia. Os níveis de açúcar podem ir caindo rapidamente durante o sono, quando a pessoa está em jejum, e dependendo do estágio do sono, ela pode não acordar com os sintomas. Como a hipoglicemia pode causar confusão mental e perda de consciência, a pessoa perde a consciência durante o sono e não sente que está em hipoglicemia”, explicou.

          Ela afirma que o uso de insulina à noite aumenta ainda mais os riscos.

          “A pessoa, por estar dormindo, pode não perceber os sintomas clássicos de hipoglicemia (tremores, sudorese, taquicardia) e não agir a tempo de reverter a hipoglicemia. A hipoglicemia vai progredindo, caindo cada vez mais e causando perda de consciência e morte”, alertou.

          Uso de insulina sem diabetes pode ser fatal

          A médica ressaltou que a insulina é um hormônio extremamente potente e perigoso quando utilizado sem necessidade médica.

          “Sim!! A insulina é um hormônio extremamente potente e pode causar hipoglicemias graves quando aplicado em quem não tem necessidade dessa medicação”, afirmou.

          Segundo ela, alguns fatores comuns no fisiculturismo aumentam ainda mais os riscos de uma hipoglicemia severa.

          “Todos esses fatores aumentam muito o risco de hipoglicemia. O uso de insulina em atletas e fisiculturistas por si só já é um risco enorme para hipoglicemia. Fazer o uso associada a dietas restritivas, jejum prolongado e treinos intensos, potencializa isso ainda mais. Uma coisa que contribui ainda mais nesse perfil de atleta, é ter pouca gordura, o que os torna muito sensíveis à ação da insulina”, explicou.

          A endocrinologista também comentou a relação entre hormônios, anabolizantes e alterações na glicose.

          “Sim. Existem alguns tipos de anabolizantes que podem até aumentar o açúcar no sangue, como por exemplo o GH. Mas a combinação de treino intenso, baixa ingestão de carboidratos e pouca gordura corporal, pode fazer com que a pessoa fiquei muito sensível à ação da insulina”, pontuou.

          Como é feita a investigação?

          Dra. Ana Heloísa Bresque explicou que exames específicos podem ajudar a identificar uma hipoglicemia fatal durante a investigação pós-morte.

          “É possível dosar os níveis de insulina e de glicose. Podemos dosar a glicose no humor vítreo, qur fica dentro do olho para saber esses níveis na hora da morte”, disse.

          Ela também alertou para os danos neurológicos e cardíacos causados pela falta severa de glicose no organismo.

          “A principal fonte de energia do cérebro é a glicose. Sem ela, ele “desliga”. Ocorrem convulsões e perda de consciência. Sem conseguir carboidratos por estar inconsciente, o coração pára”, afirmou.

          Ao final, a médica fez um alerta enfático sobre o uso de insulina sem prescrição.

          “Fazer sem acompanhamento médico e nunca usar insulina sem indicação médica, pois pode ser fatal. Hoje é possível usar sensores de glicose que avisam quando a glicose está baixa ou caindo”, concluiu.

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