Manu Gavassi: especialistas falam sobre corpo pós-parto e a importância do acolhimento
Após nascimento da filha, artista de 32 anos foi alvo de comentários sobre sua aparência, revelando o impacto emocional da cobrança em um período de baby blues
Desde o nascimento de sua primeira filha, Nara, em abril de 2025, a cantora e atriz Manu Gavassi, de 32 anos, vinha compartilhando sua nova rotina. No entanto, a celebração da maternidade foi interrompida por uma onda de críticas nas redes sociais, focadas em sua aparência física. Sobre o assunto, a reportagem do portal LeoDias entrevistou a psicóloga, Dra. Adriana Schiavone e o ginecologista com especialidade em obstetrícia, Dr. César Patez.
Segundo a psicóloga, o período pós-parto é marcado por profundas transformações físicas, emocionais e psíquicas. A mãe encontra-se em um estado de vulnerabilidade, frequentemente atravessada pelo baby blues, um quadro transitório de tristeza, irritabilidade e choro fácil, decorrente das intensas mudanças hormonais e da adaptação ao novo papel materno.
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“Quando, nesse momento delicado, a mulher é alvo de críticas estéticas, há uma sobreposição de exigências externas a um psiquismo já fragilizado. Comentários depreciativos sobre a aparência podem intensificar sentimentos de inadequação, culpa e insegurança, ferindo diretamente a autoestima e, em termos psicanalíticos, reativando feridas narcísicas relacionadas ao corpo e à identidade feminina”, explicou.
O apoio afetivo, tanto da família quanto do círculo social, é fundamental para que a mulher não se sinta sozinha em seu processo de adaptação à maternidade. A escuta acolhedora e não julgadora oferece um espaço simbólico de sustentação psíquica, onde a mãe pode expressar suas angústias e se reconhecer para além das cobranças estéticas e das idealizações sociais.
“Na perspectiva psicanalítica, a função do outro é essencial para que o sujeito possa se reconstituir em sua identidade. O olhar amoroso e respeitoso da família e de pessoas próximas ajuda a ressignificar a relação da mulher com seu corpo, reforçando que ele não é objeto de avaliação pública, mas parte de uma experiência subjetiva profunda de transformação e cuidado”, pontuou.
Estratégias práticas que uma mãe pode adotar para cuidar da saúde mental quando enfrenta julgamentos públicos sobre sua aparência é:
- Permitir-se sentir: reconhecer que a dor diante das críticas é legítima, sem se culpar por estar vulnerável;
- Estabelecer limites: reduzir a exposição a conteúdos e comentários nocivos em redes sociais;
- Apoiar-se em vínculos de confiança: compartilhar sentimentos com pessoas próximas que ofereçam acolhimento e não julgamento;
- Cuidar do corpo com compaixão: pequenas práticas de autocuidado, não como imposição estética, mas como gesto de amor a si mesma;
- Buscar suporte profissional: a psicoterapia pode ajudar a elaborar a sobrecarga emocional e ressignificar o lugar do corpo e da maternidade diante das pressões sociais. O essencial é que a mãe possa se reconectar ao próprio desejo e às suas necessidades, em vez de se prender ao olhar crítico do outro. Esse movimento, sustentado por apoio emocional, favorece a reconstrução da autoestima e o fortalecimento da saúde mental no pós-parto.
Sintomas pós-parto
Conforme o obstetra, o pós-parto é um período impactante para a maioria das mulheres estando elas mais suscetíveis à ansiedade, alterações de humor, principalmente devido à queda da progesterona, sangramento vaginal (lóquios), ganho de peso temporário e flacidez, edema de membros inferiores, queda importante da libido, ressecamento vaginal, entre outros afetando a aparência e autoestima.
“O tempo médio de recuperação do corpo após gestação varia entre 45 a 60 dias para a maioria das mulheres, porém em alguns casos pode durar até 12 meses, dependendo principalmente de fatores, genéticos, alimentares, amamentação e atividade física e em casos de necessidade, associar acompanhamento psicológico nos casos em que a expectativa não é alcançada em tempo hábil”, declarou o médico.
Relação entre o baby blues e alterações hormonais
Quase 80 % das mulheres podem passar temporariamente por esses sintomas, principalmente devido à redução dos hormônios estrogênio e progesterona, gerando assim ansiedade e humor depressivo, estresse físico, irritabilidade, pressão social sintomas esses que podem ser agravados principalmente pela privação do sono, dificultando o convívio social familiar e até mesmo com o próprio bebê.
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