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Muito além do emagrecimento: como a semaglutida impacta saúde, consumo e até o turismo

A substância, já indicada no tratamento de diabetes 2, passou a ser também utilizada no controle de peso

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          Um estudo conduzido ao longo de três meses e lançado na terça-feira (30/9), pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk em parceria com a WGSN, trouxe novas perspectivas sobre os efeitos da semaglutida, molécula sintética do hormônio GLP-1 presente em medicamentos como Ozempic, Wegovy ou Rybelsus, utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e no combate ao sobrepeso e obesidade. Além dos já conhecidos resultados clínicos, a pesquisa aponta para uma transformação cultural e mercadológica em torno do tema da saúde e do corpo.

          Em entrevista ao portal LeoDias, Mônica Levandoski, consultora sênior da WGSN Mindset, explicou que a pesquisa combinou diversas metodologias, incluindo entrevistas com profissionais de diferentes indústrias no Brasil, pesquisas de dados secundários, além da análise de previsões de tendências fornecidas pela consultoria internacional. Grupos de especialistas, como médicos, nutricionistas e pesquisadores também acrescentaram na discussão, a fim de oferecer uma visão mais ampla sobre o tema.

          Veja as fotos

          Portal LeoDias
          O portal LeoDias conversou com uma especialista sobre o impacto da semaglutida na sociedade.Portal LeoDias
          Portal LeoDias
          O portal LeoDias conversou com uma especialista sobre o impacto da semaglutida na sociedade.Portal LeoDias
          Reprodução: Freepik
          Especialista explica papel da semaglutida, do Ozempic, no tratamento da obesidadeReprodução: Freepik
          Foto: Thais Matos/UOL
          Embalagem de OzempicFoto: Thais Matos/UOL
          Divulgação
          OzempicDivulgação

          “Esse estudo ele durou em torno de três meses e a gente usou várias metodologias para desenvolver. Começamos fazendo entrevistas com profissionais de indústrias correlatas aqui no Brasil, profissionais sêniores de diversos mercados para entender como esses impactos estavam influenciando empresas e segmentos. Também fizemos uma grande pesquisa de dados secundários, desk research, pesquisas médicas e afins. Além disso, utilizamos previsões e tendências da WGSN, materiais internos da nossa plataforma e grupos com especialistas, médicos, nutricionistas e pesquisadores para ter uma visão super âncora sobre o assunto.”

          Um dos aprendizados mais relevantes foi identificar como a semaglutida, molécula sintérica que imita a ação do hormonio natural GLP-1, presente em medicamentos para tratamento de obesidade e diabetes, ultrapassa os limites da farmácia e passa a ocupar espaço na cultura.

          “Um grande aprendizado foi entender que a semaglutida tem um impacto muito grande e gera tanta conversa porque questiona o que é um corpo saudável, quem tem direito a ele e como se chega a ele. Esse medicamento saiu do lugar da farmácia e tomou conta da cultura, porque envolve discussões sobre como a sociedade enxerga saúde hoje em dia e sobre como pessoas com obesidade estão melhorando a qualidade de vida com tratamentos como o IGOV e outros.”

          A pesquisa também ressalta a importância de repensar a forma como a obesidade é tratada pela sociedade. Historicamente cercada de estigmas, a condição ainda é muitas vezes associada à falta de disciplina ou de força de vontade.

          “Eu acho que tem uma grande transformação cultural, que é o olhar para a obesidade. Hoje ainda existe muito estigma, como se fosse preguiça ou falta de vontade. Esses medicamentos puxam não só os tratamentos dessas pessoas, mas também a conversa sobre o assunto, ajudando a tirar esse peso moral. Isso incentiva as pessoas a buscarem ajuda e tratamento.”

          Segundo o estudo, além do campo da saúde, o estudo revela como a adoção desse tipo de medicamento provoca reflexos em outras indústrias. Há impactos diretos em áreas correlatas, como a de suplementos, nutrição e atividades físicas. Setores como moda, beleza, alimentação e até turismo também começam a sentir mudanças no comportamento dos consumidores. Na saúde, os efeitos já observados incluem a redução de hospitalizações e a melhora de indicadores clínicos entre pessoas em tratamento, reforçando o potencial transformador da inovação.

          “Tem também a transformação de consumo mercadológica. Alguns segmentos estão sendo impactados pela forma como essas pessoas estão consumindo. Na saúde, vemos redução de hospitalizações e melhora de índices clínicos. E outras indústrias também sentem os efeitos, como suplementos, exercício físico, moda, beleza, alimentação e até turismo.”

          Dados do estudo

          Segundo o estudo “Tratamento sem Estigma”, a perda de peso provocada pelo uso de medicações a base de semaglutina impacta de forma direta e indireta setores como saúde, alimentação, bebidas, moda, beleza, turismo. Principais pontos do estudo:

          • Virada de Chave: da culpa à ciência: O estudo mostra como a eficácia dos novos tratamentos está desconstruindo o estigma moral da obesidade. Ao tratar a condição em sua base biológica, a narrativa muda de “fracasso individual” para uma questão de saúde que exige cuidado médico, abrindo caminho para que 85% das pessoas com obesidade ou sobrepeso que já sofreram preconceito encontrem um tratamento sem julgamento.
          • A reconquista da autoestima e o impacto no varejo: Com 84% dos usuários relatando aumento
            da autoconfiança, o consumo se transforma. O estudo aponta que 56% compram roupas e cosméticos com mais frequência, impulsionando diretamente o setor de moda e beleza.
          • Revolução no prato e no bolso: A inovação gera uma disrupção econômica no setor de Alimentos e Bebidas, com uma queda de até 63% nos gastos com delivery e restaurantes. O comportamento do consumidor muda.
          • Menos pressão sobre o sistema de saúde: O impacto sistêmico é um dos mais relevantes. Estudos analisados pela WGSN apontam uma redução de até 65% nas hospitalizações relacionadas a complicações da obesidade e diabetes tipo 2, indicando um potencial de economia e alívio para todo o sistema de saúde.
          • Aumento de viagens e mais destinos de calor: Em uma pesquisa nos EUA, 32% dos pacientes em tratamento com análogos de GLP-1 relatam ter aumentado suas viagens domésticas e 23% dos pacientes viajando mais para fora do país. 26% dos pacientes em tratamento com medicamentos à base de GLP-1 estão voando mais e 30% têm mais probabilidade de visitar destinos em climas quentes. Esses destinos, historicamente estressantes para quem tem questões com o corpo, agora se tornaram mais atraentes.

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