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Vacina contra câncer de pele avança e abre nova esperança para pacientes com melanoma

O tratamento personalizado usa o próprio tumor para “ensinar” o sistema imunológico a combater a doença

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          Uma vacina feita sob medida para cada paciente pode representar um novo passo no tratamento do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Duas farmacêuticas anunciaram resultado positivo de um estudo avançado, de fase 3, com uma vacina personalizada de RNA mensageiro combinada à imunoterapia.

          Os números completos do estudo ainda não foram apresentados, mas as empresas informaram que a combinação atingiu os principais objetivos da pesquisa, reduzindo o risco de retorno da doença e de desenvolvimento de metástases em pacientes que já haviam passado pela retirada cirúrgica do tumor.

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          Melanoma, câncer de pele mais agressivoFoto: Divulgação
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          Melanoma, câncer de pele mais agressivoFoto: Divulgação
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          Vacina contra a herpes-zóster não está no SUS devido ao valor alto apresentado pela fabricanteFoto: Carlos Poly
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          Vacina experimental mostra potencial para prevenir vários tipos de câncerFreepik

          A tecnologia funciona como uma espécie de “treinamento” personalizado para o sistema imunológico. O tumor do paciente é analisado para identificar suas principais alterações. A partir dessas informações, é produzida uma vacina específica para ajudar as células de defesa a reconhecer e atacar células cancerígenas.

          “Quando ouvimos falar em vacina contra o câncer, a primeira impressão é imaginar uma vacina preventiva, como as que tomamos ao longo da vida. Não é isso. Neste caso, estamos falando de uma vacina terapêutica, desenvolvida a partir das características do tumor de cada paciente para estimular o próprio sistema imunológico a combater a doença”, explicou o oncologista Daniel Musse, membro das sociedades Brasileira, Americana e Europeia de Oncologia.

          O tratamento é estudado em pacientes com melanoma que passaram por cirurgia e apresentam risco de retorno da doença. A vacina é utilizada em conjunto com o pembrolizumabe, uma imunoterapia já empregada contra diferentes tipos de câncer.

          Para Daniel Musse, o resultado chama atenção principalmente por mostrar até onde a medicina personalizada pode chegar. “É praticamente um tratamento desenhado para aquele paciente. Você identifica características específicas do câncer e tenta direcionar o sistema imunológico contra elas. Isso mostra como estamos caminhando para uma oncologia cada vez menos baseada apenas no tipo de tumor e cada vez mais nas características individuais daquela doença”, afirmou.

          Mais de 9 mil casos de melanoma por ano

          Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 263.280 novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, fazendo deste o tumor mais incidente no país.

          Já o melanoma, exatamente o tipo de câncer estudado nesta pesquisa, deve atingir 9.360 brasileiros por ano, segundo a estimativa do INCA. Apesar de representar uma parcela menor dos tumores de pele, é uma doença mais agressiva e com maior capacidade de se espalhar para outras partes do organismo.

          De acordo com Musse, o anúncio é considerado promissor, mas a vacina ainda não está disponível para uso na prática clínica. “Até o momento, houve somente uma notificação que o estudo atingiu seu objetivo. Nós desconfiávamos, uma vez que os estudos iniciais eram muito promissores. Agora, veremos qual foi o real benefício e se haverá aprovação pelas agências regulatórias. Uma tecnologia tão elaborado acaba exigindo toda uma estrutura pra funcionar, o que pode aumentar bastante o custo”, completou Musse.

          De acordo com o oncologista, ainda não há, neste momento, um prazo definido para que o tratamento possa chegar ao mercado. “Até lá, serão necessárias novas etapas de análise, avaliação de segurança e eficácia e eventual aprovação pelos órgãos reguladores”, concluiu.

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