Virginia diz que filho tem 1 mês para falar: entenda quando é considerado atraso
Em entrevista ao portal LeoDias, a fonoaudióloga Ana Tereza Magalhães detalha os marcos do desenvolvimento da fala no 1º ano e orienta pais sobre quando procurar ajuda
Na última semana, Virginia Fonseca revelou em vídeo publicado nos stories que seu filho José Leonardo, que recém completou 1 ano, tem um mês para começar a falar pelo menos 5 palavras, prazo este estipulado pela médica que o acompanha. A fala da influenciadora levantou dúvidas entre pais sobre o que é esperado no desenvolvimento da linguagem infantil nessa fase e quando pode ser considerado realmente um atraso. Para explicar, o portal LeoDias conversou com a fonoaudióloga Dra. Ana Tereza Magalhães.
Ao portal LeoDias, a especialista detalhou quais sinais são considerados dentro da normalidade e quando é hora de procurar avaliação profissional. Segundo a profissional, é por volta dos 12 meses que a criança começa a pronunciar as primeiras palavras com significado — como “mamãe”, “papai”, “água” ou “não”. “Pode haver variação: algumas falam mais cedo, aos 10 ou 11 meses, enquanto outras só a partir de 13 ou 14 meses. Os 12 meses são uma referência média comum”, explica.
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A especialista também detalha os principais marcos de desenvolvimento da fala no primeiro ano de vida, tanto na compreensão quanto na produção de sons e palavras.
De 0 a 3 meses:
- Reage a sons intensos (sustos, piscadas, interrupção da mamada);
- Acalma-se com a voz da mãe e responde a sons familiares
- Se comunica por variações no choro e sons emitidos;
- Sorri quando alguém fala de frente para ela.
4 a 6 meses:
- • Localiza sons lateralmente e se aquieta com a voz da mãe.
• Grita e vocaliza como se estivesse “conversando”.
• Produz sons vocálicos e sílabas repetitivas (/aaaaa/, /oooo/, /ppppp/).
• Presta atenção quando alguém fala e responde com sons.]
7 a 11 meses
- Vira a cabeça em direção aos sons que chamam sua atenção.
- Reage a sons suaves e reconhece quando é chamado pelo nome.
- Produz balbucios variados (/bada/, /padadama/).
- Repete palavras simples (“mamã”, “papá”), bate palmas, aponta e dá tchau.
12 meses:
- Localiza sons rapidamente, tanto fortes quanto suaves.
- Compreende comandos simples (“manda beijo”, “dá tchau”).
- Balbucia em resposta à fala dos adultos.
- Pronuncia as primeiras palavras e imita ações de outras pessoas.
- Reconhece o próprio nome e responde a ordens simples.
Quando se preocupar
Ana Tereza reforça que nem todo bebê de 1 ano precisa estar falando várias palavras, mas a ausência total de vocabulário aos 12 a 14 meses merece atenção. “Não é necessariamente motivo de preocupação grave, mas se a criança não usa nenhuma palavra com intenção, não balbucia, não responde ao próprio nome, nem utiliza gestos para se comunicar, é importante investigar”, alerta.
A especialista acrescenta que o desenvolvimento deve ser avaliado como um processo contínuo, não apenas em um recorte de tempo. Entre os sinais que pedem acompanhamento estão:
- Ausência de palavras significativas até 14 meses;
- Falta de gestos ou de interação social;
- Pouca ou nenhuma resposta a sons ou à voz;
- Vocabulário muito restrito aos 18 meses;
- Ausência de combinação de palavras até os 24 meses
Possíveis causas do atraso
A fonoaudióloga diz que o atraso na fala pode estar relacionado a diferentes fatores, que vão de condições médicas a questões emocionais. Entre eles:
- Perda auditiva, mesmo leve;
- Transtornos do desenvolvimento neurológico, como atraso cognitivo, paralisia cerebral, síndromes genéticas;
- Tanstornos específicos de linguagem;
- Problemas emocionais ou comportamentais, como ansiedade e isolamento;
- Dificuldades motoras orais, que afetam a articulação;
- Saúde geral: condições crônicas, infecções de ouvido frequentes, condições metabólicas ou neurológicas
Como os pais podem estimular
Apesar da preocupação, há muito que os pais podem fazer em casa para estimular a comunicação, segundo a especialista. Algumas orientações incluem:
- Conversar bastante com a criança, nomeando objetos e descrevendo o cotidiano;
- Ler livros ilustrados, mesmo para bebês;
- Repetir e expandir as palavras ditas pela criança;
- Usar gestos, expressões faciais e brincadeiras de imitação;
- Responder às tentativas de comunicação, valorizando cada esforço;
- Reduzir o tempo de telas e priorizar interações reais
A importância da intervenção precoce
Para Ana Tereza, quanto antes o atraso for identificado, maiores as chances de minimizar impactos. “O cérebro infantil tem alta plasticidade nos primeiros anos. A intervenção precoce favorece o desenvolvimento da linguagem, da socialização e até da autoestima da criança”, afirma.
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