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Diretor Daniel Filho relembra saída da Globo e diz que poder cria “amigos falsos”

Aos 88 anos, diretor falou sobre desgaste, falta de reconhecimento e a busca por uma identidade fora do cargo que ocupava na emissora

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          O diretor de TV e cineasta Daniel Filho abriu o jogo sobre a decisão de deixar a Globo no início dos anos 1990. Em participação no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, o profissional afirmou que o período em cargos de poder na emissora trouxe desgaste emocional e uma sensação de isolamento. “O poder é um lugar muito complexo que cria muitos amigos falsos e muitos inimigos poderosos”, descreveu ele, antes de explicar sua saída do canal.

          Segundo Daniel, a posição que ocupava criava uma espécie de barreira ao seu redor. Ele contou que, ao pedir demissão, queria entender quem era longe da estrutura de comando que mantinha na televisão. “Até usei essa frase quando pedi admissão, que foi para espanto de todo mundo. Eu tava ganhando uma fortuna. Eu disse: ‘Eu queria saber quem sou eu sem essa cadeira que tô sentado’. A cadeira do poder é uma cadeira que cria uma redoma em torno de você”, contou. O veterano também afirmou que a experiência dentro da Globo envolvia prestígio e alto salário, mas também um peso pessoal grande.

          Veja as fotos

          Crédito: Acervo/Globo
          Daniel Filho na direção de "Pecado Capital", em 1975Crédito: Acervo/Globo
          Crédito: Acervo/Globo
          Daniel FilhoCrédito: Acervo/Globo
          Crédito: Nelson Di Rago Globo
          Daniel FilhoCrédito: Nelson Di Rago Globo
          Crédito: Acervo/Globo
          Daniel Filho nos bastidores de "Rainha da Sucata", em 1990Crédito: Acervo/Globo
          Reprodução: Instagram/@daniel_filhooficial
          Daniel Filho e Fernanda MontenegroReprodução: Instagram/@daniel_filhooficial

          Outro ponto citado pelo diretor foi a frustração profissional. Daniel disse que muitas vezes participava da criação e preparação de projetos, mas via outras pessoas assumirem a execução final. Esse processo, segundo ele, o fez sentir falta de algo que pudesse chamar verdadeiramente de seu.

          Após sair da Globo, Daniel se dedicou a “Confissões de Adolescente”, exibida pela TV Cultura em 1994. O diretor destacou a importância da série em sua trajetória e afirmou que o projeto representou uma realização pessoal justamente por carregar sua identidade de forma mais direta.

          Na conversa com Cissa Guimarães, Daniel ainda relembrou uma situação curiosa envolvendo Cláudia Jimenez nos bastidores de “Sai de Baixo”. Segundo ele, a atriz chegou a sugerir que ele fosse doador para que ela pudesse ter um filho, deixando todos ao redor surpresos.

          O diretor marcou a história da televisão brasileira como um dos nomes por trás de novelas e programas consagrados, incluindo “Sai de Baixo”, “Irmãos Coragem”, “Selva de Pedra”, “Pecado Capital”, “O Astro”, “Dancin’ Days” e “Malu Mulher”.

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