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Wagner Moura rebate ataques por posições políticas: “Quando fui pobre, aí podia ser de esquerda?”

Ator afirmou que deseja trocar ideias sobre impostos, papel do Estado e políticas públicas, mas lamentou que o debate político tenha sido substituído por ofensas e polarização

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          Conhecido por se posicionar a favor de pautas políticas do espectro da esquerda brasileira, o ator Wagner Moura declarou que gostaria de estabelecer uma conversa mais produtiva com pessoas ligadas à direita. Para o ator, temas como gastos públicos, cobrança de impostos, programas sociais e tamanho do Estado poderiam gerar discussões importantes, desde que o confronto de ideias não fosse trocado por ataques pessoais. Wagner também aproveitou para desabafar sobre o sentimento de exaustão ao ser criticado por pessoas que não pensam da mesma forma que ele.

          A declaração foi feita durante participação no “Conversa com Bial”, exibido na noite da última terça-feira (4/8). A entrevista foi gravada em Atenas, na Grécia, onde o artista cumpre compromissos relacionados ao espetáculo “Um Julgamento”, atualmente em turnê.

          Veja as fotos

          Reprodução: Globo
          Wagner Moura e Pedro Bial em Atenas, na Grécia, discutindo sobre políticaReprodução: Globo
          Reprodução: Instagram/@samidrasin
          Wagner Moura fotografado pelas lentes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de HollywoodReprodução: Instagram/@samidrasin
          Reprodução: Instagram/@caiolirio
          Wagner Moura na peça "O Julgamento"Reprodução: Instagram/@caiolirio
          Foto: Mark Seliger/Time
          Wagner Moura para a TimeFoto: Mark Seliger/Time
          Foto: Reprodução Instagram/@caiolirio
          Wagner Moura foi indicado ao prêmio APTRFoto: Reprodução Instagram/@caiolirio

          Ao abordar as críticas que recebe por defender pautas associadas à esquerda, mesmo incomodado, Wagner garantiu que não pretende abandonar suas opiniões ou deixar de se posicionar publicamente. Segundo o ator, prosperar profissionalmente não deveria impedir alguém de continuar defendendo justiça social e melhores condições de vida para outras pessoas.

          Wagner ironizou a ideia de que só poderia sustentar pensamentos de esquerda enquanto tinha poucos recursos financeiros. “O cara diz assim: ‘Você prosperou na sua carreira como ator’ – os caras que são pela meritocracia. Quando estava lá em Rodelas, fui pobre, aí podia ser de esquerda, né? Parece que é como se tivesse um portal por onde você passa. Eu queria saber qual é o teto. Quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social?”, indagou ele.

          Nascido em Salvador e com parte da infância vivida em Rodelas, no interior da Bahia, Wagner relembrou sua origem familiar e afirmou que continua sendo influenciado pelas experiências que teve antes da fama. O artista também citou o trabalho do pai, que foi sargento, e situações de desigualdade que presenciou durante a juventude.

          Para ele, o sucesso não apagou sua história nem alterou sua preocupação com pessoas que vivem em condições mais vulneráveis. O ator ainda questionou as acusações de incoerência feitas pelo fato de morar no exterior e desfrutar de uma vida confortável enquanto defende direitos sociais no Brasil.

          Wagner também relacionou sua própria carreira às políticas públicas voltadas à cultura. De acordo com ele, leis de incentivo existentes em Salvador durante a década de 1990 ajudaram a criar oportunidades para jovens atores e contribuíram para a trajetória de artistas como seus amigos, Lázaro Ramos e Vladimir Brichta, ele próprio e tantos outros.

          Outro ponto abordado foi o enfraquecimento da confiança nos fatos. O artista observou que, em outros momentos, esquerda e direita podiam interpretar um mesmo acontecimento de formas diferentes, mas partiam de uma realidade compartilhada. Atualmente, na visão dele, até a existência dos acontecimentos passou a ser contestada. Wagner avaliou que essa fragmentação torna a convivência democrática mais difícil.

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