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Linda, potente e diferente: por que “A Nobreza do Amor” ainda não conquistou o público?

Mesmo com alta qualidade e proposta inédita, novela das seis enfrenta rejeição silenciosa

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*As informações contidas neste texto são de responsabilidade dos colunistas e não expressam necessariamente a opinião do portal LeoDias.

          Poucas vezes a Globo colocou no ar uma novela tão bem acabada quanto “A Nobreza do Amor”. Tecnicamente impecável, visualmente deslumbrante e com uma proposta narrativa pouco explorada na teledramaturgia brasileira, a trama tinha todos os elementos para se tornar um fenômeno. Mas não virou. A audiência segue abaixo do esperado, e a pergunta que fica é inevitável: por que uma novela tão bem feita ainda não conseguiu “pegar”?

          A resposta passa, antes de tudo, pelo fator novidade; que, neste caso, joga contra. “A Nobreza do Amor “apresenta ao público um reino fictício africano, com reis, rainhas, riqueza, poder e sofisticação. É uma África distante dos estereótipos que historicamente dominaram a televisão brasileira. Aqui, não há miséria como pano de fundo. Há opulência, política, disputas familiares e um universo visual grandioso. E é justamente aí que mora o problema.

          Durante décadas, a TV brasileira construiu uma imagem muito limitada do continente africano. Para grande parte do público, especialmente o mais tradicional das novelas das seis, essa representação ainda está enraizada. Quando a novela quebra essa expectativa e apresenta uma África rica, organizada e poderosa, ela exige do espectador um repertório que nem todo mundo tem ou está disposto a acessar naquele horário.

          Existe um estranhamento. E novela, principalmente no horário das seis, costuma funcionar melhor quando oferece reconhecimento imediato. Quando o público “entra” na história sem esforço. Em “A Nobreza do Amor”, é preciso um pequeno deslocamento e isso, na prática, afasta parte da audiência.

          Além disso, há um outro ponto importante: a falta de identificação inicial. Por mais bem construída que seja, a trama ainda não conseguiu entregar personagens com apelo popular imediato, daqueles que viralizam, que geram conversa, que criam torcida. Falta um gancho emocional mais direto, mais cotidiano, que aproxime o público da história desde o primeiro capítulo.

          E isso pesa. Não se trata de falta de qualidade; pelo contrário. A novela tem direção apurada, fotografia sofisticada, elenco entregue e uma proposta estética que beira o cinematográfico. É o tipo de produto que impressiona. Mas televisão aberta não vive só de qualidade técnica. Vive de conexão.

          A “Nobreza do Amor” talvez esteja à frente do seu tempo ou, pelo menos, à frente do que o público do horário está acostumado a consumir. E isso cria um paradoxo raro: uma novela elogiada, bem produzida, necessária até… mas que ainda não encontrou seu público. A questão agora é saber se essa virada virá com o tempo ou se a novela vai terminar como um acerto artístico que não se traduziu em audiência.

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