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O apagamento de Raquel: o que estão fazendo com Taís Araujo em “Vale Tudo” é inaceitável

Manuela Dias escolheu silenciar a protagonista; ela matou a personagem em vida e não houve uma alma no elenco ou na Globo capaz de defender a atriz

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Está tudo errado no remake de “Vale Tudo”. E o que vem sendo feito com Taís Araujo não é apenas uma escolha criativa ruim — é um boicote escancarado. A essa altura, ninguém mais tem dúvidas de que a vilã da novela é Odete Roitman (Debora Bloch). Mas é preciso repetir, com todas as letras: a protagonista da história sempre foi Raquel Accioli. A heroína. O centro moral da trama. A mulher que enfrentava um sistema podre com coragem e dignidade. E hoje, faltando três capítulos para o fim, ela foi praticamente apagada.

Manuela Dias escolheu silenciar a protagonista. Transformou Raquel numa figura lateral, passiva, quase invisível. Matou a personagem em vida — sem sequer justificar isso dramaticamente. E não houve uma alma no elenco ou na Globo capaz de defender Taís. O silêncio é ensurdecedor.

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É bom que se diga: esse esvaziamento de Raquel começou bem antes de a atriz expressar publicamente sua frustração com a virada da personagem — que, depois de tudo, acabou de volta à praia vendendo sanduíches. Essa crítica, aliás, é legítima. Na versão original, Raquel era o coração da novela. Era ela quem desmascarava Odete Roitman e revelava que era a megera quem dirigia o carro que matou Leonardo. Era ela quem assumia a autoria do assassinato da vilã, para livrar a filha. Era Raquel quem impedia Fátima de vender o próprio filho por 25 mil dólares, numa das cenas mais lembradas da dramaturgia brasileira. E agora? Nada.

Enquanto a audiência espera por algum momento de redenção, dignidade ou força, o que vemos é uma protagonista completamente desfigurada — e uma atriz do tamanho de Taís Araujo sendo deixada à própria sorte. Em um projeto que, ironicamente, falava sobre valores, integridade e justiça.

Manuela Dias decidiu reescrever a história, mas não teve coragem de bancar o apagamento da protagonista com responsabilidade. Preferiu anular a personagem sem aviso, como se ninguém fosse notar. Pior: ninguém no elenco teve coragem de se posicionar. Ninguém levantou a voz. Ninguém comprou o barulho de Taís.

“Vale Tudo” virou uma novela sobre hipocrisia, mas não só dentro da trama. O que se vê nos bastidores é um jogo político, onde uma das maiores atrizes do país foi silenciada sem reação de colegas, sem reação da emissora e sem qualquer respeito à importância simbólica de Raquel — ainda mais sendo interpretada por uma mulher negra no horário nobre.

O nome disso não é só má adaptação. É covardia. E fica o registro, porque se a memória é curta, o absurdo aqui é grande demais pra passar em branco.

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