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Opinião: Daniel Rangel brilha em “A Nobreza do Amor” e merece protagonismo na Globo

Em confronto emocionante com o pai, ator impressiona pela intensidade e pelo domínio da cena, sem recorrer a exageros

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          Daniel Rangel foi um dos grandes destaques do capítulo de “A Nobreza do Amor” exibido nesta terça-feira (27). Na cena em que Manoel finalmente enfrenta o pai, o autoritário delegado Fortunato (César Ferrario), o ator deu uma demonstração de maturidade e domínio de cena. Um trabalho que merece ser observado com atenção pela Globo.

          O grande mérito de Daniel foi construir a explosão de Manoel sem recorrer à gritaria gratuita ou a uma interpretação caricata. A raiva do personagem não surgiu de uma vez. Foi crescendo aos poucos, alimentada por anos de submissão, medo e ressentimento. A voz embargada, o olhar carregado e a maneira como foi aumentando o tom deram verdade ao confronto. Era possível perceber que Manoel não estava apenas discutindo com o pai, mas colocando para fora tudo aquilo que passou tanto tempo sem conseguir dizer.

          E é justamente aí que se percebe a qualidade de um ator. Daniel soube dosar a indignação, deixando que a emoção ganhasse força naturalmente. Não tentou transformar cada fala em um momento grandioso. Respeitou o tempo da cena e encontrou a intensidade necessária para que o embate tivesse impacto.

          O confronto também representa um momento importante na trajetória de Manoel. Durante boa parte da novela, o rapaz viveu à sombra de Fortunato, um homem violento, machista e controlador, responsável por transformar a vida da família em um ambiente de opressão. A decisão de Maria Helena (Quitéria Kelly) de abandonar o casamento foi um dos acontecimentos que contribuíram para a transformação do filho. Agora, ao enfrentar o delegado, Manoel demonstra que já não aceita ocupar o mesmo lugar de antes.

          A cena desta terça-feira reforçou uma impressão que vem se consolidando ao longo de “A Nobreza do Amor”: o ator está crescendo muito profissionalmente. Seu trabalho apresenta cada vez mais segurança, personalidade e capacidade de transitar entre diferentes emoções.

          Daniel já merece uma oportunidade de maior destaque na televisão aberta. Tem talento e maturidade para assumir um protagonista, mas também seria interessante vê-lo diante de um antagonista de peso, daqueles personagens contraditórios, cheios de conflitos e capazes de desafiar um intérprete.

          A Globo tem em Daniel Rangel um ator que não precisa mais ficar restrito a personagens secundários. A cena com Fortunato mostrou que ele tem recursos para sustentar sequências dramáticas importantes e chamar a atenção sem precisar de excessos.

          O Manoel finalmente encontrou coragem para enfrentar o pai. E Daniel Rangel mostrou, mais uma vez, que está pronto para desafios maiores.

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