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Opinião: “Três Graças” é novelão porque traz de volta o exagero que a gente esqueceu

Nos últimos anos, as novelas foram se deixando contaminar pela estética das séries e do streaming; foram ficando mais naturalistas, mais contidas, mais "vida real"

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          Vendo a atuação da Grazi Massafera como Arminda em “Três Graças”, me caiu a ficha: a gente chama essa novela de “novelão” porque, de algum jeito, ela recupera uma essência que andava sumida — o exagero.

          Nos últimos anos, as novelas foram se deixando contaminar pela estética das séries e do streaming. Foram ficando mais naturalistas, mais contidas, mais “vida real”. E isso pode ser bom, mas também pode matar o que a novela sempre teve de mais interessante: o drama escancarado, o estereótipo assumido, o gesto largo, o tom acima.

          A Arminda da Grazi é estereotipada? É. Mas de propósito. Ela carrega nas tintas com consciência. A personagem tem um ar de vilã da Disney, uma coisa quase caricatural — e isso não é um defeito. É uma escolha. Uma aposta da direção e da atriz numa atuação que lembra que novela não é série. Novela é exagero. É teatralidade. É intensidade popular.

          A gente esqueceu disso. Mas se olhar pra trás, tá tudo ali: Regina Duarte em “Rainha da Sucata”, a Carminha de Adriana Esteves em “Avenida Brasil”, até a Nina interpretada por Débora Falabella tinha seus rompantes dramáticos. Todos personagens que funcionavam porque não tinham medo de ser “demais”.

          “Três Graças”, ao trazer de volta esse exagero proposital, reacende uma chama que parecia apagada. E talvez por isso tanta gente esteja dizendo: “isso sim é novelão”. Porque é.

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