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Opinião: Autora não só anulou Raquel; ela também destruiu Maria de Fátima no fim de “Vale Tudo”

E assim, o remake de "Vale Tudo" chega ao fim com duas protagonistas completamente esvaziadas: uma por sabotagem, a outra por omissão

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          Se a grande crítica ao remake de “Vale Tudo” já vinha sendo a descaracterização completa de Raquel (Taís Araujo), a reta final conseguiu superar as piores expectativas ao também desfigurar Maria de Fátima (Bella Campos). A vilã, que até então vinha sendo o ponto alto da adaptação, perdeu completamente sua coerência narrativa no momento mais importante da história.

          Maria de Fátima sempre foi movida por ambição. Essa era sua marca registrada. O desejo de ascensão social, a esperteza diante das oportunidades, os golpes bem ou mal articulados — tudo isso fazia parte do pacote. Ela não era só vilã, era uma estrategista, alguém disposta a qualquer coisa para conquistar o que queria. Mas, de repente, jogaram tudo isso fora.

          Na penúltima semana, vimos a mesma personagem que passou a novela inteira tentando engravidar de um bilionário simplesmente abrir mão do “pote de ouro” que ela tanto buscou: o próprio filho, agora herdeiro de uma fortuna, já que César (Cauã Reymond) está cheio de grana. E não foi uma decisão embasada em arrependimento, redenção ou qualquer tipo de virada emocional minimamente construída. Foi gratuita. Jogada. Conveniente para a trama — não para a personagem.

          O que se viu foi uma Fátima incoerente, sem instinto, sem lógica. A vilã esperta virou piada. A personagem que enganava, manipulava e planejava foi reduzida a um amontoado de decisões sem sentido. E o pior: a cena que marca esse colapso narrativo não gerou choque, nem emoção, apenas estranhamento e frustração.

          Ao alterar completamente as motivações da personagem, o roteiro comprometeu o que ainda funcionava na adaptação. E não adianta argumentar que se trata de uma releitura. Uma releitura não destrói a essência — trabalha em cima dela. No caso de Fátima, a essência foi ignorada em nome de uma virada de roteiro que não serviu nem à história nem ao público.

          Manuela Dias não apenas reescreveu mal o destino de Maria de Fátima — ela matou a personagem mais afiada da novela. E assim, o remake de “Vale Tudo” chega ao fim com duas protagonistas — Raquel e Fátima — completamente esvaziadas. Uma por omissão, a outra por sabotagem.

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