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Crítica: “O Morro dos Ventos Uivantes” aposta na tensão sexual e brocha na montagem

Filme erra o tom e perde o propósito de ser por escolha da direção

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          O ano de 2026 oficialmente começou no cinema. Nesta quinta-feira (12/2), uma “releitura” do clássico “Morro dos Ventos Uivantes” chega às telonas, bem no dia de São Valentim. O longa estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi aposta alto em um thriller erótico intenso e a química entre os atores, mas esbarra em uma direção fraca e uma montagem confusa.

          Para quem conhece e é entusiasta do romance de Emily Brontë, esse filme não é para você. A história original serve para nada mais do que um pano de fundo para a assinatura de Emerald Fennel, a diretora da obra. Quem gosta de “Saltburn”, vai entender melhor.

          Veja as fotos

          Foto/WarnerBros
          “O Morro dos Ventos Uivantes” chegará aos cinemas em fevereiro de 2026Foto/WarnerBros
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          “O Morro dos Ventos Uivantes” chegará aos cinemas em fevereiro de 2026Foto/WarnerBros
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          “O Morro dos Ventos Uivantes” chegará aos cinemas em fevereiro de 2026Foto/WarnerBros
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          “O Morro dos Ventos Uivantes” chegará aos cinemas em fevereiro de 2026Foto/WarnerBros
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          “O Morro dos Ventos Uivantes” chegará aos cinemas em fevereiro de 2026Foto/WarnerBros
          Foto/Divulgação
          Charli XCX assina trilha de “Morro dos Ventos Uivantes”Foto/Divulgação

          Todos os elementos, porém, estão ali. Ou melhor, quase todos. Cathy e Heathcliff são retratados desde a infância quando o rapaz é adotado pela família da jovem e assim desenvolvem uma relação de unha e carne. A ruptura quando Margot Robbie decide se casar com Linton também está presente, o que deveria desencadear na história gótica e de vingança que todos conhecem.

          No lugar disso, a história se desenrola como um suspense erótico, regido a muitas cenas sexuais, muito sexo e também muita transa. Sabe a sensação de culpa quando bate após uma noite animada com uma pessoa que você não sabe nem o nome? Esse é o sentimento do filme inteiro.

          Assim como em “Saltburn”, Fennel aposta em cenas icônicas prontas para viralizarem nas redes. No longa anterior, muitos se lembram do episódio na banheira. Em “O Morro dos Ventos Uivantes”, uma cena em específico tem vivido sem pagar aluguel na minha memória.

          Após ter um despertar sexual ao ver dois criados de sua mansão transando, Cathy decide ir para as montanhas e propiciar um prazer solitário, se é que me entende. Nisso, Heathcliff a segue e a pega no flagra no momento de autossatisfação. Quando a protagonista percebe que está sendo vigiada, ela tenta sair dali o mais rápido possível, quando é interrompida pelo rapaz, que pega os dedos dela e os enfia na boca. Apesar de ter me marcado, essa nem é a mais chocante ou explícita.

          Pontuada toda a minha insatisfação com vocação explícita do filme, ainda há outros defeitos de origem técnica. Para começar, o sotaque inglês de araque dos dois protagonistas é de irritar. A montagem também é outro demérito do filme.

          O final é atropelado e confuso. As coadjuvantes perdem a força no encerramento do longa e o espectador se perde. “O Morro dos Ventos Uivantes” tem um problema grave ao abordar a passagem do tempo e decidir qual rumo seguir na história. Parece que, realmente, o foco era construir um ambiento erótico, e a história ficou em segundo plano.

          O som do filme, no entanto, é bom. A trilha sonora de Charli XCX é um deleite para os ouvidos. Apenas a inglesa entendeu o tom da história e entregou uma pedrada atrás da outra. A química em cena entre Margot e Jacob também é interessante.

          Para resumir, a nova adaptação é um filme ame ou odeie. Para quem se afeiçoa por fanfics, histórias mais picantes ou simplesmente ver a personificação do tesão em cena, vai funcionar. Para quem gosta da obra original, talvez não pegue muito. Como no meu caso.

          Nota: 4/10

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