“Libertador”, diz Wagner Moura após voltar a atuar em português no cinema
O brasileiro já levou o prêmio de Melhor Ator pelo trabalho em "O Agente Secreto" no Festival de Cannes
O ator Wagner Moura, conhecido por papéis intensos, está chamando a atenção dos críticos do cinema internacional mais uma vez. Agora, com sua atuação em “O Agente Secreto”, longa de Kleber Mendonça Filho. Sua interpretação como o especialista em tecnologia Marcelo lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema de Cannes recentemente.
O filme, que tem sido sucesso no circuito de festivais, com passagens pelo Festival de Telluride e o TIFF, tem gerado um grande burburinho em torno da atuação de Moura, colocando-o em uma forte disputa por uma indicação ao Oscar. Em entrevista para a revista Variety, o artista abriu o jogo sobre o prazer de voltar às origens atuando em português após mais de uma década.
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Inclusive, o longa foi rodado no Recife (PE), sua cidade natal, e a colaboração com o diretor Kleber Mendonça Filho, com quem ele tem uma forte conexão criativa, possibilitou um reencontro com as raízes de sua carreira de ator. “Foi libertador fazer algo em português novamente […] A última vez que atuei na minha língua foi há mais de uma década. Voltar para casa, Recife, para trabalhar com Kleber, foi como retornar às raízes da minha carreira de ator”, declarou.
Os dois profissionais se conhecem há mais de 20 anos e Wagner Moura o descreve como sua “alma gêmea cinematográfica”. “Ele é profundamente político, mas também profundamente brasileiro. Ele consegue pegar influências de filmes americanos da década de 1970 — as lentes, a estrutura — e fazer disso algo que pertence apenas ao Brasil. Isso é raro”, afirmou.
“O Agente Secreto” e o Oscar
Neste momento, “O Agente Secreto” começou a dar sinais de que vem para uma forte jornada em busca de indicações ao Oscar e com grandes chances de fazer história para o Brasil mais uma vez. O ator contou que teve duas etapas antes de assumir o desafiador papel de Marcelo.
“Eu queria que as pessoas sentissem como se estivessem assistindo a duas pessoas diferentes… Para mim, tratava-se de imaginar o que significava para uma criança crescer sem conhecer o pai. Eu tenho três filhos. Meu pai faleceu. Esse tema de pai e filho é o que mais me comove como ator”, destacou.
Se Wagner Moura conseguir uma indicação ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto”, ele fará história. Por quase 100 anos, apenas cinco atores latinos foram indicados na categoria: José Ferrer, Anthony Quinn, Edward James Olmos, Demián Bichir e Colman Domingo. Moura seria o sexto a entrar para o seleto grupo, além de ser o primeiro brasileiro reconhecido na premiação.
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