Do campo às arquibancadas: Flamengo e Fluminense protestam contra a MP das Bets
As equipes rivais participaram de uma ação conjunta contra a proibição das casas de apostas esportivas no país durante o clássico deste domingo (11/10)
Flamengo e Fluminense participaram de uma ação conjunta contra a a Medida Provisória nº 1.394, conhecida como MP das Bets, no clássico deste domingo (11/10), no Maracanã. Ambas as equipes entraram em campo com a frase “proibir não é proteger”, referência à proibição da operação e publicidade do setor, estampada no espaço reservado para o patrocinador master nos uniformes.
O protesto não ficou restrito ao institucional e chegou também às arquibancadas. Na entrada das equipes ao gramado, torcedores rubro-negros estenderam uma faixa contra a medida: “O futebol brasileiro não pode ser vítima desse gol contra”. A mensagem cita diretamente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).
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O Flamengo mantinha um contrato de patrocínio master do time com uma empresa do setor com validade oficial até 31 de dezembro de 2028. A equipe pode deixar de receber cerca até R$ 268,5 milhões por temporada devido à nova legislação. Já o Tricolor recebia R$ 52 milhões fixos + variáveis por ano com outra plataforma de apostas esportivas até 2029.
No meio da semana, o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, já havia confirmado a ação conjunta e explicou: “Foi uma medida provisória que pegou a gente surpresa, foi do dia pra noite. Sempre falei que quando fosse tratado esse tema, não ia entrar em debate político, porque eu acho que o clube não tem que se meter institucionalmente em discussão política. Mas o ponto que nos prejudicou bastante foi a falta de previsibilidade. Enfim, uma decisão que foi aplicada, assim, de surpresa, nos prejudica bastante”.
Na última rodada, o Flamengo foi o único a entrar em campo com a frase estampada, no empate por 2 a 2 com o Santos, na Vila Belmiro. Por outro lado, as frases de protesto também estiveram presente em placas publicitárias de nove estádios. Dos 20 clubes da elite do futebol nacional, 14 mantinham contratos com casas de apostas.
Segundo dados do Banco Central, as bets movimentavam entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês no Brasil. Desde a regulamentação do setor, em 2023, o volume acumulado ultrapassava R$ 400 bilhões. O cenário mudou em 25 de setembro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou a MP das Bets, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país.
Os sites e aplicativos das plataformas regulamentadas foram retirados do ar em 6 de outubro de 2026, conforme previsto na medida provisória. A decisão provocou reações de empresas ligadas ao setor, que criticaram a interrupção das atividades e apontaram prejuízos decorrentes do encerramento abrupto das operações.
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